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Primeiro documento em português foi escrito em Rio Tinto

[caption id="attachment_9278" align="alignleft" width="300"]Documento Rio Tinto - fevereiro 2017 O documento será abordado na Escola Secundária de Rio Tinto / Foto: Direitos Reservados[/caption]

No Dia Internacional da Língua Materna, 21 de fevereiro, será apresentado na Escola Secundária de Rio Tinto, o primeiro documento escrito em português. De acordo com a professora catedrática Ana Maria Martins, o texto terá sido escrito no antigo Mosteiro de S. Cristóvão de Rio Tinto. 

O Centro de Linguística da Universidade do Porto e a Fundação para a Ciência e Tecnologia vão promover a apresentação do primeiro documento datado escrito em português.

A Notícia de Fiadores, de 1175, foi descoberta em 1999, na Torre do Tombo, pela professora Ana Maria Martins, linguista da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A investigadora descobriu o texto que até agora se considera o mais antigo documento em português junto do espólio do Mosteiro de S. Cristóvão de Rio Tinto, fundado por volta do ano 1000 e extinto em meados do século XVI.

“Mais do que linguístico, o interesse da Notícia de Fiadores é histórico, por demonstrar que no século XII já se escrevia em português e que esse era usado num tipo particular de textos. Como língua falada, o português tinha já alguns séculos de existência no século XII”, afirma Ana Maria Martins, em entrevista ao nosso jornal.

Para João Veloso, coordenador científico do Centro de Linguística da Universidade do Porto, “este documento tem uma importância muito grande”. “Permite-nos ter um grau de certeza muito considerável de que uma língua diferente do latim já era utilizada no dia-a-dia nesta porção de território há quase 900 anos”, diz o linguista.

A conferência vai realizar-se no dia 21 de fevereiro, pelas 21h, na Escola Secundária de Rio Tinto. A iniciativa tem o apoio da Junta de Freguesia de Rio Tinto e da Câmara Municipal de Gondomar.

Paio Soares Romeu terá escrito o documento Em 1175, Paio Soares Romeu, nobre de Paiva, veio registar um documento das suas dívidas ao Mosteiro de S. Cristóvão de Rio Tinto, mosteiro de monjas da Ordem de S. Bento.

O registo tem apenas três linhas [ver caixa] discriminando as dívidas de Paio Soares Romeu, escritas num pergaminho que contém outros documentos.

Transcrição do documento: [Linha 1] Noticia fecit pelagio romeu de fiadores Stephano pelaiz. xxi. solidos lecton. xxi. soldos pelai garcia. xxi. soldos. Gũdisaluo Menendici. xxi soldos

[Linha 2] Egeas anriquici xxxta soldos. petro cõlaco. x. soldos. Gũdisaluo anriquici. xxxxta. soldos Egeas Monííci. xxti. soldos [i l riscado] Ihoane suarici. xxx.ta soldos

[Linha 3] Menendo garcia. xxti. soldos. petro suarici. xxti. soldos Era Ma. CCa xiiitia Istos fiadores atan. v. annos que se partia de isto male que li avem:

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