Paulo Teixeira, natural de Medas, tem 35 anos e após um acidente de viação ficou com um problema medular. A partir daí converteu-se ao paraciclismo e hoje dá cartas nesta modalidade. Venha conhecê-lo.
Como surgiu esta paixão pelo ciclismo?
O início do ciclismo tem tudo a ver com os meus problemas físicos, daí ser ciclista adaptado. Não preciso de nada adaptado na bicicleta, mas tenho 84% de incapacidade, embora não pareça, por não ter nada amputado. Tenho um problema medular que surgiu de um acidente de viação em 2008.
O ciclismo surgiu como uma escapatória?
A minha vida após o acidente era só fisioterapia e o próprio seguro não me deixava trabalhar. A nível mental foi muito pesado para mim. O ciclismo surgiu como um hobbie, e comecei a ganhar o gosto. O que me motivou mesmo foi ter conhecido pessoas como o senhor Mário da Roda Bike que me deu todo o apoio possível. Vi, também, uma possibilidade de me ajudar a mim próprio porque se tenho dificuldades na parte inferior devido ao problema na medula, pensei que podia fortalecer as pernas a fazer ciclismo. Além dos treinos programados, o ciclismo também é o meu escape passo muito tempo na bicicleta.
Fale-nos um pouco do seu percurso.
Iniciei no Centro Ciclista de Gondomar durante três épocas, depois comecei a gostar do BTT e do ciclismo de estrada. Competi na Candy Bike, em Valongo, no final passei para a Roda Bike, passei ainda pelo BTT de Matosinhos e agora estou no Boavista. Que está com uma visão diferente e quer colocar outras vertentes no ciclismo adaptado.
Em que modalidades compete?
Compito em ciclismo de estrada e de pista paralímpico.
Como é feita a seleção do desporto adaptado?
O desporto adaptado é um pouco complicado. Temos de ter uma equidade, há que haver uma avaliação médica, porque nós temos de competir com pessoas com incapacidade e problemas semelhantes aos nossos. O paraciclismo divide-se entre os H’s que são os paraplégicos e que têm amputação nas pernas e preferem pedalar com as mãos, os C’s pessoas com problemas motores, amputações ou problemas neurológicos, que é o meu caso. Temos de ter uma avaliação médica para perceber a que categoria pertencemos. Quando vamos a competições internacionais somos avaliados por médicos internacionais da UCI – União Ciclista Internacional. Passei por vários painéis médicos até me definirem uma categoria definitiva.
Tem algum apoio financeiro?
Um atleta que não tem qualquer problema físico já é complicado em Portugal. Tem havido um desinvestimento nas equipas, embora o novo presidente da Federação tenha outra visão. Já para iniciar uma pessoa com problemas físicos já é complicado, depois manter-se vendo que não há esse apoio torna-se ainda mais difícil. O equipamento, bicicletas, é tudo pago por nós. Só não paguei nada quando fui pela seleção nacional. O que me magoa é que a Câmara Municipal de Gondomar nunca quis saber. Lamento o pouco apoio do Município. Eu vivo em Valongo há três anos e a Junta de Freguesia de Valongo apoiou-me logo, aliás parte da minha ida à Bélgica foi financiada por eles.
Que títulos já conquistou?
Época 2025: Vencedor Taça Portugal Estrada; 21º Lugar Taça do Mundo Paraciclismo Bélgica – Fundo; 23º Lugar Taça Do Mundo Paraciclismo Bélgica – CRI; Vice-Campeão Nacional Pista em Scratch e Perseguição individual – Paraciclismo C3; Vencedor Taça Portugal Pista em Scratch e Perseguição individual C3 – Paraciclismo C3;
Época 2024: Campeão de CRI e de Fundo – Paraciclismo C3; Campeão Nacional de Pista - Paraciclismo C3; nas variantes de Scratch e de Perseguição Individual Campeão Regional XCO ACPorto – Paraciclismo;
Época 2023: 3º Lugar no Troféu Internacional de Pista - Alves Barbosa, nas variantes de Perseguição Individual e de Scratch – Paraciclismo C3; Vencedor da Taça de Portugal de Pista, nas variantes de Perseguição Individual e de Scratch – Paraciclismo C3; Vencedor do Troféu Grande Prémio Jornal de Notícias – Paraciclismo C3; Campeonão Nacional CRI e de Fundo - Paraciclismo C3;
Época 2022: Campeão Nacional de Fundo e de CRI - Paraciclismo C3; Vencedor da Taça de Portugal de Estrada - Paraciclismo C3; Campeão Nacional de Pista, nas variantes de 500m e de Perseguição Individual - Paraciclismo C3.
Época 2021: 14º Lugar no Campeonato do Mundo de CRI – Paraciclismo C3; 15º Lugar no Campeonato do Mundo de Estrada de Fundo – Paraciclismo C3; Vice-Campeão Nacional de XCM - Paraciclismo C; Campeão Nacional CRI e de Fundo - Paraciclismo C3; Vencedor da Taça de Portugal de Estrada - Paraciclismo C3.
Quais são as suas ambições?
Quero ser convocado para uma taça do mundo e dar o meu melhor. Acredito mais ter uma vaga para o campeonato do mundo, embora sonhe que gostava de participar nos Jogos Olímpicos, mas tenho os pés bem assentes na terra.
Há quem gostaria de agradecer?
O principal agradecimento que tenho de fazer é a uma pessoa que além de ter feito parte do desporto é ao Mário e à sua esposa, Maria José. Agradeço muito. E à Junta de Freguesia de Valongo. A nível pessoal quero agradecer à minha esposa. Ela vibra mais que eu (risos). Eu perdendo consigo ficar mais animado que ela. E à família também, aos pais que financiaram a primeira bicicleta (risos), e aos meus sogros.