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Nuno Fonseca: “Temos de trabalhar numa orgânica de cadeia de comando em que cada um tem de cumprir a sua missão. Missão dada, missão cumprida”

Após doze anos à frente da Junta de Freguesia de Rio Tinto, Nuno Fonseca assume, desde 5 de Novembro, a função de vice-presidente da Câmara Municipal de Gondomar, com os pelouros da Proteção Civil, Educação, Relação com as Juntas de Freguesia, Modernização Administrativa, Informática e Transição Digital. Fomos conhecer os projetos.

Foi eleito pelos gondomarenses e agora é vice-presidente da Câmara Municipal de Gondomar. Era este o passo “justo” face ao trabalho que desenvolveu na Junta de Freguesia de Rio Tinto?

Sinto que é um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido. É principalmente isso que me satisfaz, pensar que as coisas correram bem em Rio Tinto e o caminho era exatamente isso. Os gondomarenses e os rio tintenses atribuíram-me esta confiança. 

Sente que é uma responsabilidade acrescida? 

Estar neste projeto é uma responsabilidade acrescida, sobretudo nas funções de trabalho com o atual presidente, claro. Temos um projeto ambicioso para o concelho. Ter-me na equipa e ter-me atribuído as funções que me atribuiu é importante, é uma honra, estar no núcleo mais restrito para mudar o concelho.  

O presidente da Câmara atribuiu-lhe, além da vice-presidência, quatro pelouros. Comecemos pela educação, como a encontra?
É um desafio grande. A educação em Gondomar é um grande pelouro é o maior pelouro a nível de relações externas. São 16 mil alunos no ensino público, 5 mil no ensino privado, 730 funcionários, mais de 100 edifícios escolares, 11 agrupamentos de escolas é tudo em ponto grande. É um grande desafio. Gondomar recebeu um parque escolar muito deficitário, mas está a fazer um investimento financeiro muito grande não só a nível de projetos financiados, mas também com investimento da própria autarquia. Vamos fazer isso nos próximos anos, incentivar, aumentar e intensificar o investimento financeiro. O pelouro da educação é um grande desafio, sendo, também, um pelouro que esteve nas mãos do presidente no mandato anterior tem uma conotação maior, porque sei que é um pelouro onde tem uma atenção redobrada, devido a ser transversal à comunidade.  

Que lacunas encontrou e que novas propostas/projetos têm para a educação em Gondomar? Como gostava de ver a educação em Gondomar, quando terminar o seu mandato daqui a quatro anos?
Temos um desafio nos próximos anos, a questão do parque escolar é um problema que temos no dia a dia, que está maioritariamente a precisar de obras. Temos, ainda outro problema, que não é apenas o financeiro é o “problema tempo”, como é o caso da Escola de Vila Verde. As obras não andam nos prazos que deviam andar, a obra está adjudicada e entregue. Não é fácil para os empreiteiros onde a mão de obra é manifestamente insuficiente em que todos os dias se deparam com dificuldades para cumprir os prazos, como também não é fácil para os Municípios suspenderem as obras e mudarem os empreiteiros, que ainda iria dificultar mais. Estamos a resolver isto da melhor forma possível. 
O plano de investimento é grande e tenho a certeza que daqui a quatro anos o parque escolar vai estar melhor do que o que está hoje, quer com as manutenções que queremos implementar nos edifícios, quer com as reabilitações. Neste momento temos em obra e em concurso 10 milhões de euros. Vai mudar completamente a educação em Gondomar. 
Algumas das respostas que nós iremos implementar estavam no nosso programa eleitoral e uma delas, que é fundamental, é estamos a trabalhar para criar respostas para as creches no ensino público. 

Relativamente à proteção civil, e sendo Gondomar um concelho fustigado pelos incêndios e agora, pelas cheias, devido à subida do caudal do rio, com as depressões que Portugal tem vindo a ser alvo. O que falta fazer? 

Gondomar tem um serviço municipal de proteção civil suportado numa organização interna bem organizada e capacitada para dar resposta e apoiar os agentes da proteção civil. Junto com as cinco corporações de bombeiros e com as outras forças de segurança, temos uma resposta capaz. Temos de fazer duas coisas fundamentais: a primeira é a prevenção, preparar as pessoas para estes fenómenos que são cada vez mais recorrentes, quer nos fogos rurais, quer na questão das intempéries de inverno e precisamos de ser mais resilientes. Após esta prevenção precisamos de ter um sistema operacional que seja capaz de dar uma resposta, que falha neste momento. Precisamos de prevenir com antecedência. Preparar as pessoas, os serviços para estas situações e quando acontecerem já temos uma resposta rápida e eficaz. Claro ter sempre em atenção que não conseguimos já ter essa resposta imediata nestes primeiros tempos. A resiliência é o importante, e aprender com os erros, corrigindo-os.
Foi levado a Reunião de Câmara apoios para as cinco corporações e para a Cruz Vermelha de Gondomar, mais do que a operacionalidade das corporações estamos a apostar e a investir na disponibilidade de um dispositivo de socorro à população, quer exista a sua necessidade ou não. E, precisamos de perceber, que há outras situações que necessitam de outro tipo de respostas, como os geradores, comunicações via satélite, necessitamos de ser dotados destes equipamentos. Todos os dias vão aparecer desafios novos, mas vamos ser um concelho com uma capacidade operacional e de resposta resiliente para sermos capazes de apoiar os agentes e as populações. 

A plantação de eucaliptos muito polémica e falada constantemente, a solução passa pela reflorestação com outro tipo de árvores? Como as autóctones que estão a ser substituídas pelos eucaliptos? É possível fazer-se isso?
É possível termos forma de controlar a reflorestação e termos um território mais projetado e não deixar que as coisas aconteçam ao natural. Essa proliferação de Eucaliptos arde muito rápido, mas também cresce muito rápido, para quem tem plantações é extremamente valioso, por isso vai acontecer sempre. Vamos trabalhar nessa área. Este ano vamos trabalhar para que os caminhos de gestão de fogos sejam trabalhados até ao verão, com árvores e limpezas de terrenos para termos capacidade de resposta. Vai ser sempre uma luta difícil. Temos de perceber quando estamos a falar de fogos rurais é preciso gerir a situação, mas quando estamos em combate com centenas de operacionais é muito difícil gerir. É preciso ter tudo previsto para ser mais fácil a resolução. Isto não é uma guerra a favor ou contra as árvores autóctones, é ter um plano para apoiar as pessoas. 

A relação com as Juntas de Freguesia é crucial para o bom funcionamento do Município e das próprias Juntas. Tendo em conta que foi presidente da Junta de Freguesia de Rio Tinto durante 12 anos, o que irá fazer para que o Município esteja próximo das freguesias?  
As Juntas de Freguesia são fundamentais para a coesão do território e o serviço junto das populações. Tenho experiência acumulada nestes doze anos, não só como presidente das maiores freguesias do concelho, mas também com as funções que exerci na ANAFRE, onde me permitiu ser responsável dos dez distritos do norte do país. Consegui ver a experiência de outras freguesias e respetivos presidentes de Junta. 

Precisamos de capacitar as freguesias e sabendo que a resposta através das freguesias é mais fácil e mais bem gerida. Não é apenas dando meios que as coisas se resolvem é, também, fazendo um trabalho de capacitação das Juntas de Freguesia e que apoiem o Município nas suas respostas. É um caminho longo que tem de ser trabalhado. 
 

Como foi dito anteriormente foi presidente da Junta de Rio Tinto e na altura gostava que algumas coisas fossem concretizadas: como a sala de espetáculos, o auditório, o aumento dos passadiços. Enquanto presidente a Junta de Freguesia de Rio Tinto dizia muitas vezes “tratar de forma diferente o que é diferente”, agora enquanto responsável pelas Juntas de Freguesias vai continuar a defender esta máxima?
Não vai ser necessário. Estou convencido que o presidente da Câmara não precisará da minha voz para o fazer, porque são compromissos da campanha eleitoral, e acredito que os irá cumprir. Nunca falava sobre a Junta, mas sim sobre o território de Rio Tinto. Gondomar tem uma particularidade: a maior freguesia não é a sede do concelho e a maior cidade não é a cidade sede do concelho, Rio Tinto é cerca de 40% da população de Gondomar, mas a Cidade de Rio Tinto juntamente com Baguim do Monte é quase metade do concelho, a nível populacional. Esta gestão é que é ambiciosa. 
Iremos olhar para o concelho da forma que ele é com essas assimetrias, porque eu dizia “tratar igual o que é igual e tratar diferente o que é diferente”, isto não significa marginalizar ninguém. É tratar o concelho com a sua riqueza total e com a sua assimetria. 

Tendo em conta a burocracia e os atrasos nos licenciamentos que são alvo de queixas pelos gondomarenses, através do seu pelouro da Modernização Administrativa, Informática e Transição Digital, que projetos tem para combater esta problemática em Gondomar? 

Esse é um pelouro estratégico para o Município. Voltando novamente aos compromissos que o presidente assumiu, que estamos todos na equipa aqui para os cumprir, são compromissos da equipa municipal, e o presidente durante a campanha dizia que iria fazer “guerra a burocratização” e isso vai ser tratado neste pelouro. Iremos utilizar a tecnologia ao nosso dispor para fazer uma regra mais clara, mais transparente, mais eficiente, entre a máquina municipal e os cidadãos que estão lá fora. Esse não é um pelouro da gestão, mas sim da transformação que queremos implementar. 

Este é “o pelouro”?
Este é um pelouro ambicioso, que nos vai dar muita energia, quando olho para ele e penso nele dá-me vontade de sorrir. É um grande pelouro. 

Além dos pelouros que lhe foram atribuídos há algum que gostasse particularmente de ter? 
Não. Os pelouros foram atribuídos dentro do que o presidente achou que era o programa e da característica de cada um dos elementos da equipa. Não há nada que eu quisesse. As coisas não foram colocadas desta forma. Gondomar é um dos maiores concelhos do país, estou numa fase de adaptação, mas posso dizer que se calhar na proteção civil e nas Juntas estou mais à vontade, na área da modernização e transição digital é onde tenho de me esforçar mais, é que o estou a fazer para responder aos desafios do dia a dia. Vou dar o meu melhor. 

O que é que o Município pode esperar de si nestes próximos quatro anos?
Transporta-nos para a primeira pergunta que fizemos, o que esperam de mim é dedicação plena. Não sei colocar as coisas doutra forma. O que vão esperar de mim nos próximos quatro anos é que estou comprometido com o concelho, com os gondomarenses, com o trabalho a desenvolver e com todas as funções que me foram atribuídas. Dar o melhor de mim. Aprender com os erros. E ir melhorando continuamente. 

 

O presidente poderá sempre contar consigo?
Sim. Pode contar comigo até ao último dia. É uma questão que nem sequer se discute. Temos de trabalhar numa orgânica de cadeira de comando em que cada um tem de cumprir a sua missão. Missão dada, missão cumprida. Se eu falhar, a cadeia de comando falha, se o presidente falhar essa mesma cadeia falha, e o mesmo se aplica aos restantes, basta um falhar. Temos de cumprir o melhor possível a missão atribuída, e todos juntos fazer a cadeia funcionar.  Transportando isto para os ensinamentos do INEM: a força da cadeia é a força do seu elo mais fraco, e não queremos que isso aconteça. Missão cumprida independentemente do posto. 

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