Concelho de Gondomar Cultura

Nuno Amorim: “Não criei o projeto para ser mais um”

Aos 35 anos, Nuno Amorim decidiu recuperar uma paixão que o acompanha desde criança. Sob o nome artístico Anuke Júnior, regressou ao universo do DJing em 2025, apostando na House Music e numa identidade própria. Entre o trabalho profissional, as atuações e a produção musical, o objetivo passa agora por consolidar o projeto e, quem sabe, levar a sua música a grandes palcos de Gondomar.

Como começou esta paixão pela música?
Sempre gostei muito de música desde criança, apesar de nunca ter aprendido a tocar um instrumento. Sempre tive um gosto enorme pela música. Acho que já nasceu comigo. Há coisas que não se explicam. Ao longo do tempo, esse gosto foi surgindo e evoluindo. No secundário, esta paixão teve o seu auge, porque tinha um colega que colocava música em festas e comecei a interessar-me mais pela área. O clique despertou aí e percebi que a música tinha algo mais forte para me dar.

Quando percebeu que queria ser DJ?
Fui percebendo que, à medida que ouvia música, começava a reparar em todos os elementos que a compunham. Achei que tinha de aprender mais e conhecer melhor esta área. Fiz formação em DJing na Dance Planet, onde aprendi as técnicas de mistura e transição, entre outras ferramentas, e foi tudo isso que me fez evoluir e querer aprender cada vez mais. Formei-me precisamente para isto. Para já, encaro o DJing como um hobby que poderá evoluir para algo profissional. É um gosto pessoal e uma paixão, mas considero que a formação nesta área também é muito importante. Quem é DJ e está dentro de uma cabine ou em cima de um palco tem de ter bases e, pelo menos, uma noção do que está a fazer.

Ser DJ é mais do que colocar música a tocar?
Sem dúvida. Ser DJ é muito mais do que passar músicas. Há todo um conjunto de coisas que temos de dominar: ter um bom repertório musical, saber distinguir os diferentes momentos, ler uma pista, ter postura e, acima de tudo, construir uma identidade.

E como se consegue “ler” uma pista de dança?
No meu caso, sou um DJ direcionado para a House Music. Nada tenho contra os outros estilos, gosto de ouvir todos, mas acho que cada DJ deve apostar na sua identidade. Sou apologista de que ninguém é bom a passar tudo. Se sou um bom DJ de House Music, não significa necessariamente que seja bom a tocar Funk, e o mesmo acontece ao contrário. Dentro da House Music posso experimentar várias vertentes e dar a conhecer novas músicas e novos estilos. Ao mesmo tempo, acabo sempre por recuperar músicas clássicas e intemporais. Às vezes, uma música certa no momento certo é uma parte muito importante para conquistar uma pista.

O projeto Anuke Júnior nasceu recentemente. Como surgiu esta nova fase?
O projeto nasceu em 2025. Inicialmente, passava música com o meu próprio nome, Nuno Amorim, mas estive parado durante bastante tempo. Há cerca de um ano resolvi voltar, porque percebi que era algo que me fazia falta.

Foi aí que nasceu o Anuke Júnior, com uma identidade direcionada para a House Music e para as suas diferentes vertentes.

É fácil conciliar este projeto com a sua vida profissional?
Não é fácil. Trabalho muitas horas, incluindo fins de semana, e tenho folgas rotativas. A principal dificuldade é mesmo a disponibilidade para aceitar todos os eventos. Não criei este projeto para ser apenas mais um. Quero marcar pela diferença e pela minha identidade. Quero que, à medida que as pessoas forem conhecendo o meu trabalho, associem o Anuke Júnior a um estilo próprio. Neste momento não tenho nenhum local fixo onde atue. As pessoas podem acompanhar o meu trabalho através das redes sociais e, sempre que sou convidado para atuar e tenho disponibilidade, lá estarei.

Sente que existe atualmente um regresso à música de outras épocas?
Acho que estamos a reviver muito a época passada e que as pessoas estão novamente a gostar das músicas antigas. A House Music está a ganhar vida outra vez nos clubes noturnos. Os mais jovens estão muito direcionados para o Funk, mas acredito que, com algum contacto e habituação do ouvido, possam começar a adotar outros estilos musicais. Acho também que a Afro Music veio dar ainda mais esse empurrão e aproximar diferentes sonoridades.

Como surgiu o nome artístico?
Quando decidi reiniciar a minha carreira, não fazia sentido regressar com o nome Nuno Amorim. Era uma fase que tinha ficado para trás. Tudo são fases e momentos. Quando decidi voltar e comecei a pensar num novo nome, queria algo que me identificasse e que pudesse ser associado a mim. O “Anuke” vem das minhas iniciais: o “A” de Amorim e o “Nu” de Nuno. O “Ke” vem de “Keep Evolution”, porque quero continuar a evoluir e a crescer enquanto profissional. O “Júnior” surgiu um pouco por brincadeira. Tenho dois irmãos mais velhos e, dentro do meu grupo de amigos e da família, sou conhecido por Júnior por ser o mais novo. Achei engraçado juntar os dois conceitos.

Além do DJing, também, está a apostar na produção musical?
Sim. Já tenho uma faixa lançada, chamada “Reverse”, que é uma música instrumental e está disponível nas várias plataformas digitais. A produção é também um dos meus objetivos. Em 2027, para além dos agendamentos e das atuações que estamos a trabalhar, quero dedicar-me mais a essa vertente. Um bom produtor pode não ser DJ e um bom DJ pode não ser produtor. Eu gosto das duas áreas e quero explorar ambas. Tenho já alguns projetos em aberto para lançar mais faixas, incluindo um trabalho que estou a preparar com outro DJ.

Quais são os objetivos para o futuro?
Gostava muito de tocar em Gondomar. É difícil, mas é um dos meus objetivos. Quem sabe, talvez possa atuar numa Noite Branca ou noutro evento do género. Já há algumas coisas a serem trabalhadas para 2027 a nível de atuações. Esta reta final de 2026 será sobretudo para assimilar melhor as minhas ideias, convicções e raízes, perceber cada vez mais aquilo com que me identifico e, depois, arrancar 2027 com muita força.

Onde é que os leitores podem acompanhar o seu trabalho?
Podem encontrar-me nas redes sociais através de @anuke.jr.music, onde vou partilhando o meu trabalho, as atuações e os projetos que estou a desenvolver.

 

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