O Mund’art voltou a trazer a Fânzeres a diversidade cultural de diferentes países, através da música, da dança e das tradições populares. O Festival Internacional de Folclore, que conta já com 15 anos de existência, integrou este ano as Festas em Honra de São Tiago, numa parceria com a Comissão de Festas, e reuniu oito grupos internacionais. Ao longo da programação foram realizadas quatro galas de folclore, num encontro que pretende afirmar Fânzeres e Gondomar como pontos de encontro entre diferentes culturas e tradições.
Apesar do balanço positivo, a organização reconhece que há aspetos a melhorar e já está a preparar novas ideias para as próximas edições. Entre as propostas em cima da mesa está a criação de uma componente gastronómica, que permita ao público conhecer também os sabores dos países representados no festival. A organização pretende ainda reforçar a imagem do Mund’art, apostar na divulgação e criar uma programação cultural mais abrangente, capaz de chegar a novos públicos.
Alfredo Machado faz o balanço desta edição e antecipa algumas das novidades que poderão marcar o futuro do festival.
Que balanço faz desta edição do Mund’art?
O balanço é muito positivo. As Festas em Honra de São Tiago estavam paradas e, quando a nova Comissão de Festas tomou posse, decidiu associá-las ao Mund’art. O festival já existe há 15 anos e esta ligação é muito importante para nós. Estamos cá para colaborar com as entidades e, acima de tudo, para contribuir para a dinamização cultural de Fânzeres e de Gondomar. Este ano tivemos oito grupos internacionais e realizámos quatro galas de folclore. Há, naturalmente, aspetos que podemos melhorar e queremos trabalhar para acrescentar cada vez mais qualidade ao festival, de forma a proporcionar melhores momentos à população de Fânzeres, de Gondomar e a todos os que nos visitam.
Que aspetos gostariam de melhorar?
Uma das ideias que estamos a trabalhar para o futuro passa pela criação de uma componente gastronómica, que permita promover também a cultura e os sabores dos diferentes países representados no Mund’art. Gostaríamos de desenvolver esse trabalho em conjunto com os restaurantes da vila e, eventualmente, proporcionar aos próprios grupos a oportunidade de confecionarem pratos típicos dos seus países durante a sua estadia em Fânzeres. Este ano tivemos, por exemplo, um grupo italiano que confecionou comida italiana para nós na escola onde estava alojado. Foi uma experiência muito interessante e queremos, no futuro, levar essa iniciativa para fora e partilhá-la com a comunidade. É um projeto que vai dar bastante trabalho, mas é uma das apostas que queremos concretizar.
A chuva condicionou a primeira gala. Ficou pensada alguma situação para o futuro?
Nós já tínhamos falado com o Município de Gondomar sobre a possibilidade de termos uma alternativa em caso de condições meteorológicas adversas. No entanto, existem questões relacionadas com a utilização do pavilhão que dependem das respetivas autorizações e que tornam o processo mais complexo. O Multiusos de Gondomar seria, naturalmente, uma opção, mas o valor do aluguer é elevado. Se o Município pudesse assumir ou ceder o espaço nestas situações, seria uma grande ajuda. Permitiria melhorar as condições do festival e, até, criar um espetáculo completamente diferente. Ter uma alternativa deste género só viria valorizar a imagem do Mund’art e dar-nos melhores condições para responder a situações como a que aconteceu este ano.
Quais são os objetivos para a próxima edição?
Queremos fazer um encerramento diferente, envolvendo todos os grupos que integram o festival. Para isso, teríamos de realizar o espetáculo numa segunda-feira, algo que nem sempre é fácil, porque trabalhamos em sistema de permuta com cerca de 18 festivais internacionais. Quando os grupos estão em Portugal, aproveitam para participar nos festivais dos grupos com os quais temos essa parceria, e esses eventos acontecem, normalmente, ao fim de semana. Existe todo um calendário de atuações e compromissos que temos de respeitar. Para além disso, gostaríamos de criar uma espécie de semana cultural e trazer um artista de maior notoriedade, com reconhecimento nacional, que pudesse atrair outro tipo de público. As pessoas gostam de folclore, mas também procuram outras propostas e acreditamos que esta combinação poderá trazer uma nova dinâmica ao festival.
O Mund’art poderá assumir uma dimensão cultural ainda mais abrangente?
Sim. Queremos manter a identidade do Mund’art, que passa naturalmente pelo folclore e pela cultura tradicional, mas também queremos proporcionar outras experiências e chegar a públicos diferentes. No próximo ano, queremos igualmente apresentar um cenário diferente, com uma nova imagem e uma iluminação renovada. Queremos dar uma nova luz ao Mund’art, elevar a qualidade do festival e apostar cada vez mais na sua divulgação. Queremos que as pessoas saibam que o festival existe, que venham até Fânzeres e que passem para conhecer aquilo que temos para oferecer.
Que agradecimentos gostaria de deixar após esta edição?
Quero deixar um agradecimento muito especial, em primeiro lugar, a todos os componentes que estiveram presentes e deram todo o apoio possível para que o festival acontecesse. Agradeço também à Câmara Municipal de Gondomar, à União das Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova, ao INATEL, ao José Maria, enquanto particular, e à Alma no Ritmo, pelo espetáculo de dança. O Mund’art só é possível graças ao trabalho e ao apoio de muitas pessoas e entidades. A todos os que contribuíram para esta edição, o nosso muito obrigado.