A Seleção nacional de andebol concretizou um feito histórico, o quinto lugar na classificação nacional. Entre os membros da equipa que a integraram estava o gondomarense, Miguel Neves.
Fale-nos um pouco sobre si.
Quando era mais novo frequentava as férias desportivas durante o verão enquanto os meus pais trabalhavam e num dia na prática de andebol disseram-me que tinha bastante jeito e que deveria experimentar e assim foi no Gondomar cultural. A partir daí a paixão começou a crescer.
Que momentos leva destes anos a representar o clube gondomarense?
Foi a primeira experiência com a modalidade que mais tarde se tornou na minha vida. Do Gondomar levo comigo muita aprendizagem, mas principalmente amizades que se mantém até ao dia de hoje.
A sua primeira internacionalização foi na época 2022/2023 para o Il Bergen, sente que foi importante para a sua evolução enquanto jogador?
Sem dúvida, foi um palco que me ajudou a crescer muito como pessoa e atleta e permitiu-me mostrar-me ao andebol internacional, foram até hoje os melhores anos da minha carreira.
O que leva dessa experiência?
Uma experiência enriquecedora, fiquei um grande fã de Bergen e da Noruega que me permitiu como disse crescer muito como pessoa visto que me vi pela primeira vez a viver sem os meus pais e longe da família, criei também laços de amizade que até hoje levo comigo e pessoas importantes para o meu desenvolvimento e para a minha vida como a minha namorada.
Está neste momento a jogar no Saint-Raphael, como tem sido este percurso?
É o viver de um sonho, ser 100% profissional num clube e numa liga que também o é. Jogar na segunda melhor liga do mundo, na minha opinião, e poder enfrentar os melhores do mundo dia após dia é a sensação que estou no caminho certo.
Foi convocado para a Seleção Nacional para jogar no Europeu de Andebol, que por sua vez, conquistou um lugar histórico no andebol português, qual foi a sensação da concretização deste feito?
Representar a nossa seleção sempre foi o meu maior objetivo como jogador, é o concretizar de um sonho de criança, poder lidar dia a dia com os melhores jogadores portugueses e vestir a camisola que tanto significado tem, poder levar o nome da minha família, representá-los tanto a eles como amigos é o maior motivo de orgulho que podemos ter.
O que sentiu no último segundo do jogo contra a Suécia quando o Martim Costa marca o golo da vitória?
Foi um misto de emoções, sentimento de dever cumprido, mas acima de tudo um sentimento de orgulho e felicidade extrema de poder fazer parte da história do andebol português.
Tem expectativa de ser convocado para o Mundial?
Uma pergunta difícil, mas trabalho sempre com esse intuito, de poder estar entre os melhores e poder estar capaz de representar o país sempre que for preciso.
O facto de terem conseguido este feito histórico e de ter sido tão noticiado, poderá ser uma forma de atrair novos atletas para a modalidade?
Sim, sem dúvida, a própria federação procura isso, muitos dos estágios que vamos tendo ao longo do ano em cidades onde o andebol não é tão popular é com o intuito de cativar jovens atletas para a prática da modalidade.
Sente-se realizado? O que lhe falta ainda concretizar?
Muito realizado, mas não satisfeito de certa forma. Gosto de sonhar em grande e dizer que para estar 100% concretizado falta-me jogar regularmente Champions League e ganhar uma medalha/título com a nossa seleção
Há algum clube que queira jogar particularmente? E porquê?
Não há um clube em específico, claro que todos sonhamos em jogar nos melhores clubes do mundo como o Barcelona, Kiel, mas o mais importante é estarmos felizes onde estamos e termos todas as condições necessárias para isso
Quais são os objetivos futuros?
Jogar Champions League e tentar ser presença frequente na seleção
Há algum agradecimento que gostaria de fazer?
Agradecer à minha família e aos meus amigos por todo o apoio incondicional. Agradecer a todos os clubes que representei porque de certa forma me ajudaram a chegar onde estou. E por último e não menos importante (risos) à minha namorada que me acompanha em todas estas aventuras.
Factos curiosos:
Comida preferida? Francesinha
Doces ou salgados? Doces
Música da sua vida? Não diria música da vida, mas uma que gosto muito de ouvir, Jardins Proibidos- Paulo Gonzo
Livro que tem na mesinha de cabeceira? Não sou um grande leitor
Filme preferido? Sou mais de séries e aí posso escolher Prison Break
Praia ou Montanha? Praia
Melhor destino que esteve até agora? Noruega
Viagem dos sonhos? Japão
Uma palavra que o caracterize? Resiliente
ídolo de andebol? Andy Schmidt foi quem me marcou mais na minha infância, Rui Silva por ser português