Desporto Melres e Medas

Jota Silva: “Só porque já atingimos algo que queríamos, não podemos ficar confortáveis. Vou ser sempre um inconformado”

O internacional português, Jota Silva, natural da União de Freguesias de Melres e Medas e antigo do Jogador do Sousense, foi há dois anos chamado a jogar pela seleção, algo que o deixou muito orgulhoso. Fomos conhecê-lo melhor.

Fale-nos um pouco sobre si. 
Sou uma pessoa, tranquila, ambiciosa e que vai atrás dos seus sonhos, persistente e muito resiliente. Tenho um núcleo familiar forte, rodeio-me das pessoas certas e que sinto que me fazem evoluir e, no futebol, não desisto. Vejo todas as oportunidades que tenho como forma de ser melhor, enquanto jogador e pessoa. Sou muito grato para quem contribui para o meu sucesso e felicidade.

Como começou a sua paixão pelo futebol? 
Começou em criança. Cresci a jogar futebol na rua, com amigos. Sou apaixonado por futebol e pelo que faço. Quando me apercebi que queria mesmo jogar futebol, o meu pai levou-me ao Sousense para poder treinar. Acabei por lá ficar. Depois dos primeiros anos a jogar, tive um clique e percebi que queria fazer disto vida. Depois foram anos de luta, muito trabalho, ultrapassar obstáculos e ser cada vez melhor e correr atrás dos meus sonhos.

Porquê a escolha desta modalidade desportiva?
É a única modalidade que amo a sério. Nada se compara à paixão e gosto pelo futebol. Cresci com o futebol. É verdadeiramente a minha vocação.

O seu primeiro clube foi o Sousense, como foi a experiência? Que momentos leva destes anos à frente do clube gondomarense?
O Sousense vai ser sempre especial. Moldou-me enquanto pessoa. Transmitiu valores que transporto contigo e que me mudaram. É uma família. As pessoas que trabalham lá- e que são as mesmas que trabalhavam na minha altura- são pessoas do bem e gostam do clube a sério e tentam melhorá-lo. Dão todo o suporte necessário para que o clube evolua. Foi no Sousense que aprendi a viver com pouco, a fazer muito com o pouco que havia ao nosso dispor. A palavra que me vem à cabeça é gratidão. O Sousense é uma família para mim, por isso é que sempre que posso vou lá e estou com antigos jogadores, diretores, presidente e agradeço pelo que me apoiaram e ajudaram. Vou estar sempre grato pelo que fizeram por mim. Deram-me a oportunidade de dar os primeiros passos no futebol.

Após passar por vários clubes portugueses, como o Leixões, Espinho, Paços de Ferreira, Vitória SC, ingressou na sua primeira internacionalização em 2024 no Nottingham Forest, sente que foi importante para a sua evolução enquanto jogador?
Depois de tudo o que fiz em Portugal, queria muito jogar fora. Um dos meus sonhos era jogar na Premier League, para mim a melhor liga do mundo. E quando tive essa oportunidade, nem pensei duas vezes. O ano passado foi importantíssimo. Cresci muito não só a jogar, mas também a ver os melhores do mundo. Tive experiências incríveis. Encontrei um clube organizado e ambicioso. Fizemos uma época histórica. Pude partilhar balneário com jogadores talentosos que me ajudaram a crescer. Evoluí e aprendi muito. Estar naquele meio foi muito bom para mim. Vivi de perto mais um sonho que era jogar contra as melhores equipas do mundo. Eu estive naquele meio. Fico muito feliz por ter tido esta oportunidade, mas quero mais. Não estou conformado.

O que leva desta experiência?
Esta experiência ajudou-me a evoluir, não só enquanto jogador- porque tornamo-nos melhores quando estamos com os melhores-, mas deu-me outra perspetiva de vida. Foi a primeira experiência fora dos meus pais, estar longe da minha família e daqueles com quem estava diariamente. Foi difícil, mas foi uma experiência incrível. Encontrei pessoas que me fizeram sentir em casa. A equipa técnica, os jogadores- os brasileiros, o Nico, os ingleses- fizeram-me

sentir em casa e ajudaram-me em tudo o que precisei. Depois, o Nottingham é um clube familiar, com uma estrutura bem organizada. É um clube enorme, mas de muita proximidade. Deram-me um grande suporte.

Está neste momento no Besiktas, na Turquia, como é jogar num clube com uma cultura distinta da portuguesa? As diferenças culturais são sentidas?
O Besiktas é um clube gigante. É um clube com uma cultura distinta. Mas as diferenças não são muito significativas. É uma cultura bonita. Aqui no clube o grupo é ótimo, o ambiente é bom. Estou a gostar muito de estar aqui e viver em Istambul e de poder jogar num gigante do futebol turco.

Partindo para uma parte mais pessoal, o que a sua família lhe transmite sobre a sua carreira?
A minha família é o mais importante. O meu maior troféu é olhar para os meus e ver que sentem orgulho em mim e que os deixo orgulhosos todos os dias por tudo o que estou a fazer. É por eles que luto todos os dias e que ganho forças para ultrapassar obstáculos, ser mais forte, mais completo e um melhor jogador para que consiga alcançar todos os sonhos que ainda me faltam. É sempre por eles que eu me levanto e vou à luta todos os dias.

 

 

Sente-se realizado? O que lhe falta ainda concretizar?
Sinto-me realizado por ter a minha família, a pessoa que amo ao meu lado. Já atingi o maior sonho que tinha que era jogar pela seleção nacional, pelo meu país. Quero lá voltar. Tenho outros sonhos para concretizar. Quero jogar na liga dos campeões e tornar-me presença assídua na seleção. Sinto-me realizado, mas não sinto que já tenha alcançado tudo. Vou atrás de mais. Só porque já atingimos algo que queríamos, não podemos ficar confortáveis. Vou ser sempre um inconformado.

Há algum clube onde quisesse jogar particularmente? E porquê?
Estou muito feliz onde estou. Sou muito pragmático. Penso no dia a dia. Agora não é altura para pensar noutros clubes. Estou a adorar jogar aqui. Mas quero jogar liga dos campeões, quero ser melhor jogador e jogar pelas melhores equipas. Quero é conseguir alcançar todos os objetivos aqui e ser uma mais-valia para o Besiktas que está a dar todo o suporte para ser feliz aqui.

Gostaria de voltar a ser jogador de um clube português?
Gostava de voltar ao Vitória. É o meu clube. O Vitória deu-me tudo o que precisava para eu ascender na carreira. Estreei-me no Dom Afonso Henriques pela seleção. É o clube que apoio e tenho o sonho de lá voltar. Acredito que vou voltar para ajudar o clube.

Como se sentiu, aquando da primeira convocação pelo selecionador português, Roberto Martinez, em 2024, para a Seleção Nacional?
Não tenho palavras para descrever. Era um sonho de menino. É o auge da carreira de qualquer jogador. E ter entrado nesta geração de jogadores fantásticos é de um orgulho imenso. Foi fruto do meu trabalho. Senti-me realizado e senti que todos os sacrifícios que eu e a minha família fizemos valeram a pena. Quero voltar a sentir o feeling de estar na seleção e jogar pelos meus pais. E tenho esse sonho para 2026. Quero estar no mundial e vou trabalhar para isso. Sabendo que a seleção está recheada de bons jogadores e grandes talentos. O selecionador nacional vai ter boas dores de cabeça porque há mesmo muita qualidade, mas vou lutar e 
trabalhar muito para poder estar no lote. Quer esteja lá, quer não esteja, vou estar a apoiar a seleção nacional.

Como prevê o desempenho da Seleção no Mundial 2026? Estão confiantes?
Claro que sim. A seleção vai fazer um mundial incrível e espero que com a vitória. Temos de ir e pensar jogo a jogo. Mas acho que com a qualidade que temos e com o que temos vindo a apresentar somos uma das seleções favoritas. Os jogadores que forem selecionados vão trabalhar ao máximo pelo sucesso de Portugal. Vão dar tudo.

Quais são os seus objetivos futuros?
Penso muito no curto prazo. Quero ajudar o Beskiktas a fazer uma grande época. Queremos ter uma segunda volta melhor do que a primeira e que eu possa contribuir para isso.

Há algum agradecimento que gostaria de fazer? 
Agradeço todos os dias por poder fazer o que amo. Mas agradeço à minha família, à minha namorada e todos os que passaram que pela minha carreira, pois contribuíram de forma positiva para ser o jogador que sou hoje e para que pudesse ter sucesso.




Factos Curiosos:
- Comida Preferida? Arroz de cabidela 
- Doces ou salgados? Salgados 
- Música da sua vida? Fernando Daniel – Casa 
- Livro que tem na mesinha de cabeceira? Não leio muito, tenho de mudar isso.
- Último filme que viu no cinema? Velocidade furiosa 10
- Praia ou Montanha? Praia 
- Melhor destino que esteve até agora? Maldivas
- Viagem dos sonhos? Havai

- Uma palavra que o caracterize? Resiliência 
- Ídolo de futebol? Não tenho nenhum, mas admiro o CR7 pela mentalidade e resiliência


 

 

 

 

 

 

 

O presidente da União de Freguesias de Melres e Medas, José Paiva, “é um orgulho ter uma pessoa da nossa freguesia que se estrou por um clube gondomarense a chegar tão longe como o Jota Silva, nunca perdendo a humildade e as suas raízes. É uma pessoa muito ligada ao seu lugar, Vilarinho, e é sem dúvida um grande alento para nós e uma inspiração para muitos jovens que ambicionam uma carreira futebolística”

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