Grande Entrevista com: AMÂNDIO DE AZEVEDO
Texto: ANDRÉ RUBIM RANGEL, jornalista
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Amândio Anes de Azevedo nasceu em Faiões, Chaves, a 24/08/1928. É um político que foi deputado constituinte, secretário-geral do PPD/PSD no tempo de Sá Carneiro – sendo o seu político de eleição e referência – e ocupou o cargo de ministro do Trabalho e Segurança Social no IX Governo Constitucional. Licenciado em Direito, antes do 25 de Abril foi inspetor dos Serviços Prisionais e é reconhecido pelo seu trabalho na assistência social das prisões, dos reclusos e suas famílias. É Grande-Oficial da Ordem de Mérito pelo Estado Português.
Qual(is) o(s) segredo(s) para, a caminho dos 98 anos de idade, manter essa sua lucidez e sanidade mental? E desejaria chegar aos 100 anos?
Cada pessoa nasce com características que têm influência na sua longevidade. E o tipo de vida, regrada ou desregrada, também tem grande influência. No que me diz respeito, sempre preferi comida saudável e em quantidade adequada, renunciando sem sacrifício à comida mais saborosa e abundante que fosse prejudicial à saúde.
Sempre procurei também ter atividades físicas adequadas às minhas características e condições. O futebol, o andebol, mais tarde, o golfe foram as atividades escolhidas e estou certo de que a escolha foi acertada.
Com tantos anos vividos e tanta experiência pessoal-profissional, há alguma história de vida sua desconhecida, de resiliente bravura da sua parte, que nos possa contar?
Não. A minha vida decorreu sempre com normalidade, não havendo episódios que valha a pena contar.
Direito foi a sua escolha de formação e de vida. Em algum momento quis mudar de profissão? E quais foram os dois casos judiciais, no tribunal, ora que mais dificuldade ora que mais gozo lhe deu trabalhar?
Direito foi a minha escolha e foi sem qualquer dúvida a escolha acertada, como resulta da classificação que obtive. Foi residual e sem grande significado o que fiz como advogado.
No início da sua carreira foi inspetor dos Serviços Prisionais. Que análise faz das nossas prisões e do apoio aos guardas e reclusos, desde o antigamente ao presente. O que melhoraria?
Fui nomeado inspetor dos serviços sociais exatamente para reestruturar os serviços sociais de apoio aos reclusos e ex-reclusos e suas famílias, criando as melhores condições para a sua reinserção na sociedade.
Foi deputado constituinte, estando nessa Assembleia que celebra 50 anos de existência e que redigiu o que somos democraticamente. Como descreve esta efeméride e o documento em si?
A eleição da Assembleia Constituinte, e a consequente aprovação da Constituição seguida de eleições legislativas transformam Portugal numa democracia de tipo ocidental com as portas abertas para a adesão às Comunidades Europeias que viria a ter lugar pouco tempo depois.
Os atuais presidentes da República e da Assembleia da República discordam quanto ao facto de poder haver uma revisão à Constituição Portuguesa. Qual a sua opinião?
Não analisei o problema da revisão da Constituição, não tendo por isso uma opinião formada a este respeito. Certo é, todavia, que esta revisão é possível nas condições que estão previstas pela própria Constituição.
Na cerimónia que assinalou o meio século da Constituição, houve mais uma declaração polémica de um determinado deputado. Que comentário tece sobre os presos políticos, antes e depois do 25 de Abril, tanto cá como nas colónias?
É evidente que houve presos políticos antes e depois do 25 de Abril, sendo igualmente inaceitáveis e condenáveis tanto uns como outros.
Como foi, há quase 50 anos, ser secretário-geral do PPD com Sá Carneiro na liderança? No seu entender, o que levou a que dentro do PSD atual se fosse mudando a génese e a visão desse destacado político?
Foi naturalmente uma honra ser secretário-geral do PSD e uma honra ainda maior ser secretário-geral sendo Presidente Francisco Sá Carneiro. Em meu entender, e sei do que falo, porque vivi intensamente os primeiros tempos e os primeiros passos do partido, sem Sá Carneiro não haveria PSD ou haveria um PSD que em nada se pareceria com este. Considero que Sá Carneiro foi o político mais influente e mais admirado antes e depois do 25 de Abril.
Foi ministro num Governo coligado entre PS e PSD, presidido por Mário Soares. Sente que esse bloco central resultou? E qual o motivo?
O governo do chamado Bloco Central resultou porque tomou as medidas necessárias para resolver os gravíssimos problemas que o país enfrentava nessa altura e que um governo minoritário nunca teria a possibilidade de adoptar.
E foi precisamente ministro do Trabalho e Segurança Social, uma pasta que se encontra presentemente em contestação por causa do pacote/lei laboral e do aumento significativo de pessoas subsidiadas pela S.S. nos últimos anos. O que lhe apraz dizer?
Como antigo ministro do Trabalho entendo que não devo pronunciar-me sobre os problemas com que se defronta a atual ministra do Trabalho.
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