Concelho de Gondomar Desporto

Gondomar Futsal Clube: 30 anos de paixão, resiliência e dedicação

Telmo Viana, presidente da direção do Gondomar Futsal Clube, fala dos 30 anos de história da coletividade, da evolução do associativismo e dos desafios que o clube enfrenta para se manter sustentável. A sessão solene comemorativa decorreu a 31 de julho, prolongando-se até à meia-noite, momento em que o Gondomar Futsal Clube assinalou oficialmente três décadas de existência.

O Gondomar Futsal Clube celebrou 30 anos de existência. Que significado tem esta data para o clube?
O aniversário é no dia 1 de agosto, embora façamos sempre a sessão solene no dia 31 de julho, entrando depois na meia-noite. São 30 anos de vivência associativa, desde 1 de agosto de 1986 até 1 de agosto de 2026, nos quais tivemos diversas modalidades, mantendo ininterruptamente o futsal, incluindo o escalão de seniores. Somos um clube que, ao longo destes 30 anos, com mais atletas ou menos atletas, mais escalões ou menos escalões, foi mantendo esta vivacidade. Nunca fizemos interrupções na nossa atividade. É uma história de três décadas de trabalho, dedicação e muita resiliência.

Está ligado à direção do clube há mais de duas décadas. Como começou esse percurso?
Sou presidente há cerca de 22 ou 23 anos. Comecei em 2004, quando me convidaram para presidente da Assembleia-Geral. Entretanto, houve alguns problemas e, para haver um entendimento, passei para presidente da direção. Foram muitos os desafios ao longo destes anos. A idade vai passando, mas fomos sabendo ser resilientes e ultrapassar as dificuldades. É um percurso longo, mas que tem sido muito gratificante.

O que mudou no Gondomar Futsal Clube ao longo destes 30 anos?
Mudou muita coisa, sobretudo a forma meticulosa de gerir uma associação, quase como se fosse a nossa própria casa. Esse é um ponto fulcral. A nossa gestão é feita ao cêntimo e ao euro. Procuramos não gastar mais do que aquilo que temos e somos muito respeitadores das receitas e das despesas previstas no orçamento. Há 20 ou 22 anos, muitas das funções eram desempenhadas por carolice. Os próprios diretores, quando era realmente necessário, tiravam dinheiro do seu bolso para ajudar o clube. Atualmente, isso já não acontece da mesma forma.
Os desafios são muitos e os patrocinadores, tendo em conta o panorama atual, também vão apoiando cada vez menos e priorizando os seus investimentos. Não é fácil. Temos conseguido reinventar-nos muito com a ajuda do Município de Gondomar e da Federação das Coletividades de Gondomar. Participamos em alguns eventos nos quais, desde a primeira hora, somos fundadores e dizemos sempre “presente”. A Noite Branca e a Feira das Tasquinhas permitem-nos obter algumas receitas e, com grande esforço, marcamos sempre presença. Não procuramos viver ou subsistir à custa dos apoios. Procuramos conseguir obter algumas receitas. Temos uma sede que todos os meses temos de pagar. O apoio vem também destes homens e mulheres que trabalham para formar atletas e para conseguir custear as despesas do clube.

É possível, atualmente, manter um clube desportivo sustentável apenas com o trabalho voluntário e a chamada “carolice”?
É possível quando, no patamar em que estamos, as pessoas dão a sua carolice, o seu contributo, esforço e dedicação. Evidentemente, o clube agradece todo o apoio das instituições que nos ajudam, desde os patrocinadores, muitos deles desde a primeira hora e que são verdadeiros amigos, até às entidades camarárias e às uniões de freguesias que nos apoiam. Apesar disso, considero que os apoios deveriam ser distribuídos de acordo com as estrelas que cada clube apresenta. Um clube com três estrelas tem de ter, por exemplo, um médico afeto ao clube.
No futsal somos dos poucos clubes com esta certificação. Temos outros clubes no concelho com certificação, que também estão a fazer um trabalho meritório. Há espaço para todos. Mas é efetivamente um investimento que esta direção e estas pessoas fazem e que muitas vezes não é visível para a comunidade e até para os próprios pais.

O que representa para o Gondomar Futsal Clube ter atualmente três estrelas enquanto entidade formadora?
Nos últimos cinco ou seis anos temos tido, em média, mais de 100 atletas inscritos e estamos certificados com três estrelas como entidade formadora pela Federação Portuguesa de Futebol. Esta certificação demonstra a organização que os clubes têm de ter para cumprir determinados requisitos. Somos pioneiros, juntamente com outras equipas, mas, no concelho de Gondomar, somos um dos clubes que se posiciona com três estrelas. É um trabalho que muitas vezes é feito no silêncio, que não se vê, mas que é extremamente gratificante e representa aquilo que fazemos no associativismo. Temos sempre a noção de que o associativismo de hoje é diferente daquele que existia há 20 anos. Temos conseguido adaptar-nos a essas mudanças.

O que mudou?
Quando estava num outro clube, o Gondomar Sport Clube, éramos diretores mesmo quando não tínhamos qualquer ligação ao escalão. Atualmente, os clubes têm muitas vezes como diretores os pais ou as mães dos atletas. Isso mudou muito.

Como justifica essa mudança?
Não há outra opção. A carolice já quase não existe. É também uma forma de conseguirmos manter os escalões e assegurar o funcionamento dos clubes.

Qual considera ser, então, o modelo de gestão mais adequado para uma coletividade como o Gondomar Futsal Clube?
É termos um núcleo duro que consiga ouvir todas as partes e, depois, em camadas descendentes, passar bem a mensagem. Hoje estamos a passar essa mensagem ao comemorar o nosso aniversário, na nossa casa, com as nossas pessoas. Sabemos que é um dia difícil, naturalmente, até pela questão das férias, mas não quisemos desvirtuar a nossa essência.

Optaram por assinalar os 30 anos com uma celebração especial. É uma tradição comemorar os aniversários de cinco em cinco anos?

É uma “panca” que o presidente tem (risos). Mas posso explicar porquê. Fui autarca em Gondomar e assisti a muitas festividades de coletividades, com todo o carinho e gosto. Mas todos os anos assistíamos a muitas coletividades onde havia mais pessoas sentadas à mesa do que a assistir à cerimónia. Não questionando se temos ou não muitas pessoas a assistir, achei que, de cinco em cinco anos, deveríamos tornar o aniversário mais digno. A não ser que exista algo realmente relevante que justifique fazer de outra forma.

Nesta celebração foi também apresentada a camisola comemorativa dos 30 anos. O que representa esta iniciativa?
É um marco diferenciador deste 30.º aniversário. Os mais de 100 atletas do Gondomar Futsal Clube vão utilizar uma camisola exclusiva durante esta época desportiva. Na próxima época regressarão à camisola habitual. Quisemos que os nossos atletas tivessem também uma recordação física deste aniversário e que esta camisola ficasse associada aos 30 anos do clube.

Depois de 30 anos, o que gostava que fossem os próximos 30?
Gostava de prever estar cá, pelo menos (risos). Não pensei que ainda hoje estivesse aqui. Na altura, tudo começou como uma solução de agregação para haver uma harmonia. Entretanto, isto tornou-se um vício bom. As alegrias são muito maiores do que as mágoas. É muito gratificante vermos os nossos meninos, que, entretanto, se tornaram chefes de família e construíram as suas vidas. É algo que nos dá muito orgulho. Acima de tudo, quero que o Gondomar Futsal Clube continue a ser reconhecido como um clube credível.

Há alguém a quem queira deixar um agradecimento especial nestes 30 anos?
Aos sócios fundadores, primeiramente. A todos aqueles que, sob a minha presidência, me acompanham desde essa data, como o Fernando Santos, que costumo dizer que é o meu braço direito, e a Paula Madureira, que sempre estiveram comigo. A todos os diretores e a todos os órgãos sociais. E há um agradecimento que me custa mais fazer: ao meu pai, que foi tesoureiro durante mais de uma década e que, por falecimento, já não está cá. É alguém que não poderia deixar de mencionar.
Ao Município de Gondomar, à União das Freguesias de Gondomar (São Cosme), Valbom e Jovim, à União das Freguesias de Foz do Sousa e Covelo, a todos os patrocinadores que estão connosco desde a primeira hora e aos nossos associados e amigos. Esta carolice precisa de muitos amigos. Temos de ser amigos dos amigos e a nossa realidade é um pouco esta. É graças a todas estas pessoas que conseguimos continuar.

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