Desporto

Futebol encerra atividade no S.C. Montezelo

Arminda Gomes aponta o silêncio da Câmara de Gondomar e o afastamento de um potencial investidor como fatores decisivos para o futuro do clube. José Fernando Moreira, vereador do Desporto, da Câmara Municipal de Gondomar, garante que a coletividade continuará a ser parceira do município, mas defende que qualquer investimento terá de ser enquadrado no plano estratégico desportivo municipal.

O Sport Clube de Montezelo chegou a uma situação limite depois de vários anos à espera da requalificação do seu campo de futebol. A promessa da instalação de um relvado sintético, que remonta a 2021, continua sem se concretizar e, segundo Arminda, dirigente do clube, a falta de respostas da Câmara Municipal de Gondomar, aliada à perda de um potencial investidor, acabou por comprometer as perspetivas de recuperação da coletividade.

A situação volta a colocar em evidência um problema muito antigo. Na altura, o clube integrava a lista de coletividades contempladas com a instalação de um sintético, mas continuava sem o tão aguardado melhoramento das condições do campo. Quatro anos depois, a questão mantém-se por resolver.

Arminda Gomes, a dirigente do clube, considera que a ausência de respostas do município foi determinante para o desfecho mesmo. “Recordo que, em 2021, foi anunciado e aprovado por escrito entre a Câmara Municipal de Gondomar e pelo Montezelo a instalação de um relvado sintético”.

Para que o processo pudesse avançar, foi necessário regularizar a propriedade de uma parcela do terreno. Segundo Arminda, a então proprietária acabou por doar essa área à coletividade, tendo sido realizada uma escritura que implicou despesas adicionais para o clube. A responsável garante que, atualmente, todo o edifício pertence ao Montezelo.

A expectativa manteve-se durante os anos seguintes. Contudo, Arminda diz que, em 2024, as tentativas de contacto com a autarquia deixaram de ter resposta.

A responsável garante que enviou vários emails e procurou marcar reuniões, mas sem sucesso. Em janeiro de 2025, decidiu enviar uma carta ao município com várias alternativas para viabilizar o projeto, incluindo a possibilidade de encontrar soluções caso a Câmara não tivesse capacidade financeira para suportar o investimento.

“Nós tínhamos um projeto de um milhão de euros”, explica Arminda, defendendo que a criação de um campo municipal poderia servir outros clubes e atletas do concelho, nomeadamente aqueles que se deslocam a Valbom para treinar.

Depois de anos de espera, surgiu uma nova possibilidade para o Montezelo: um potencial investidor demonstrou interesse em avançar com um projeto desportivo para o clube, depois de já ter reunido com a Câmara Municipal de Gondomar. A proposta passava por desenvolver um projeto semelhante ao que estaria a ser equacionado para o Zebreirense, mas de maior dimensão, tendo em conta as condições do espaço.

De acordo com a dirigente, o investidor mostrou-se disponível para assumir a colocação do sintético, mesmo que o município não participasse financeiramente. O modelo de funcionamento previa que este assumisse a gestão da componente futebolística, enquanto a direção do Montezelo ficaria responsável pela área financeira e pelas restantes atividades da associação. Arminda afirma que o projeto já tinha perspetivas de patrocínios, transportes e um plano desportivo ambicioso, mas que a situação mudou depois de uma reunião entre o investidor e a autarquia. “Ao fim de duas semanas, liguei-lhe e a conversa foi outra”, conta.

A diretora do clube considera que a reunião com o município foi determinante para esta mudança de posição e entende que a autarquia não criou condições para que a requalificação avançasse. Esta versão não foi, até ao momento, confirmada pelo investidor.

Segundo a dirigente, José Fernando Moreira respondeu por email que não existiam verbas disponíveis para ajudar o clube. A responsável afirma que, ao longo dos anos, tem recorrido ao próprio dinheiro para assegurar as condições mínimas de funcionamento das instalações, numa luta que considera cada vez mais difícil de sustentar. “Sinto que são 18 anos de vida desperdiçados”, lamenta. Apesar do desgaste, acredita que ainda será possível recuperar o Montezelo, embora reconheça que o processo será árduo. Considera, no entanto, que sem o apoio da Câmara ou a entrada de um investidor dificilmente o clube conseguirá reerguer-se. A dirigente acrescenta que deixará o clube se lhe demonstrarem que a sua permanência está a prejudicar a coletividade.

Confrontado com a situação do Montezelo, José Fernando Moreira, vereador do desporto, da Câmara Municipal de Gondomar, começa por manifestar respeito pela comunidade de Fânzeres e São Pedro da Cova, pela direção e por todas as pessoas envolvidas no clube. O responsável reconhece que as condições do campo não favorecem a prática desportiva nem a captação de novos atletas. Recorda que, quando chegou ao setor do Desporto, encontrou uma coletividade com oito jovens a treinar em condições deficientes.

No entanto, considera que o investimento necessário vai muito além da colocação de um relvado sintético. “Não chegava só colocar um relvado”, afirma, explicando que o projeto incluía também balneários, bancada e outras infraestruturas.

Segundo José Fernando Moreira, o investimento global rondava um milhão de euros, sendo necessário avaliar as exigências associadas ao apoio do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). O responsável explica ainda que a Câmara está a finalizar o Plano Estratégico de Desenvolvimento Desportivo Municipal, que deverá identificar as necessidades dos campos de futebol, pavilhões, piscinas e restantes equipamentos desportivos do concelho.

Para o vereador, a decisão sobre o Montezelo deverá ter por base esse levantamento e a necessidade efetiva do espaço para a comunidade. “Eu preciso de algo que me diga que aquele espaço é um espaço que é necessário à comunidade”, afirma, acrescentando que não pretende que as crianças fiquem sem locais onde possam praticar exercício físico. O vereador garante que, após a conclusão do plano estratégico, o município voltará a conversar com o Montezelo para definir o caminho a seguir. “O Montezelo será sempre um parceiro para a Câmara, mas com uma lógica de investimento que traga equidade no que são os dinheiros públicos”, conclui.

Depois de anos de promessas, dificuldades financeiras e tentativas de encontrar alternativas, o futuro do Montezelo permanece incerto. A conclusão do plano estratégico municipal poderá abrir caminho a novas conversações. 

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