A reorganização dos espaços, a criação de novas zonas de convívio e a aposta na diversidade da programação marcaram a edição deste ano da Festa de Nossa Senhora do Rosário, em Gondomar. Estivemos à conversa com a vereadora da Cultura, Carla Ferreira, para fazer um balanço.
Que balanço faz da edição deste ano da Festa de Nossa Senhora do Rosário?
Faço um balanço muito positivo. A Festa de Nossa Senhora do Rosário é uma das tradições mais importantes de Gondomar, profundamente ligada à nossa história, à nossa identidade e à vivência da comunidade. Este ano, procurámos valorizar essa herança, mantendo aquilo que é essencial na festa e, simultaneamente, introduzindo mudanças que permitissem melhorar a experiência de quem nos visita e tornar a festa mais atrativa. Foi uma edição de encontro entre a tradição e a renovação, com a preocupação de envolver diferentes gerações e de continuar a afirmar Gondomar como um território de cultura, de convívio e de tradições vivas.
Considera que os resultados superaram os do ano passado e quais foram os principais indicadores que sustentam essa avaliação?
Acredito que esta edição trouxe melhorias importantes e que a reorganização contribuiu para criar uma dinâmica mais diversificada e uma experiência mais interessante para quem participou, ou seja, para os comerciantes e para todos que participaram nesta festividade. Tivemos presentes no recinto da Festa cerca de mais de 30 comerciantes, e é percetível que tivemos muito mais gente a vir à nossa romaria. Durante o período da Festa foi notório a presença de pessoas de diferentes faixas etárias, saliento os jovens, que nos últimos anos tinham deixado de vir à nossa Festa. Nos diferentes dias vimos pessoas de idades bem distintas a conviver no mesmo espaço e ambiente. Mais do que olhar apenas para o número de visitantes, importa avaliar a forma como as pessoas usufruíram dos diferentes espaços, a participação nas iniciativas. De salientar as condições proporcionadas aos nossos romeiros, bem como aos feirantes e a capacidade de envolver as associações, os agentes culturais e o comércio local. Criamos uma zona de restauração na Av. Oliveira Martins, no parque urbano um lounge, uma zona de comerciantes, bem como uma zona de descanso e lazer, a Chill Out Zone e tentamos reorganizar os restantes espaços.
A festa foi alvo de uma reorganização. Que impacto teve essa reorganização na dinâmica da festa? Notaram melhorias na circulação de pessoas, na distribuição dos espaços, nas condições para os feirantes e na experiência de quem visitou Gondomar?
A reorganização teve como principal objetivo tornar a festa mais funcional, agrupada, organizada e atrativa, para enaltecer a sua essência. Procurámos pensar a festa como um todo, tendo em conta a circulação das pessoas, a distribuição das diferentes atividades e a articulação entre os espaços. A existência de diferentes áreas permite diversificar a experiência dos visitantes e criar dinâmicas de atratividade e participação. Estas mudanças exigem sempre uma avaliação e uma capacidade de adaptação, porque queremos ouvir quem participa e perceber o que pode ser melhorado. O nosso objetivo é que os visitantes encontrem uma festa acolhedora, que os feirantes tenham condições adequadas para desenvolver a sua atividade e que a organização dos espaços contribua para uma vivência mais confortável e agradável das nossas festas.
Nos dois últimos dias do Rosário, fizemos questionários a todos os comerciantes que estiveram presentes na nossa Festa e efetivamente o feedback que tivemos foi muito bom. Em 99% dos casos manifestaram vontade de voltarem no próximo ano e praticamente todos pretendem ficar nos mesmos lugares, o que quer dizer que esta mudança, que resultou numa transformação do espaço da festa foi uma aposta ganha.
Sentiu que este ano houve uma maior adesão do público ou um dinamismo acrescido por parte dos participantes?
Sem dúvida. Sentimos uma dinâmica acrescida, que resultou da diversidade da programação, da criação de novos espaços de convívio e da valorização dos diferentes ambientes da festa. Um dos melhores exemplos foi a Praça Lounge, uma novidade que foi muito bem acolhida pelo público. Pensámo-la como um espaço de encontro e de animação, com pequenas bandas antes dos concertos principais e DJs no final da noite. Tornou-se um ponto de encontro para diferentes gerações, prolongando a animação e dando às festas um ambiente mais contemporâneo, sem perder a sua identidade. O Rosário deve ser isso mesmo, um espaço de encontro para toda a comunidade, onde convivem famílias, jovens, visitantes e todos aqueles que regressam a Gondomar para viver esta tradição tão nossa. Mas este dinamismo não se mede apenas pela afluência de público. Mede-se também pelo envolvimento de todos os que fazem a festa acontecer: a Confraria de S. Cosme, S. Damião e Nossa Senhora do Rosário, as associações, os feirantes, os comerciantes, os artesãos e os produtores locais. Quero destacar, em particular, a valorização dos nossos produtos e da nossa gastronomia tradicional, com a participação da Confraria do Caldo de Nabos e da Confraria dos Rojões e Papas de Sarrabulho, a par de um produtor de vinho local e de uma confeitaria que dá vida a um doce típico da região. Valorizar o caldo de nabos, as papas de sarrabulho e os restantes sabores da nossa terra é também preservar a nossa identidade, as nossas memórias e os saberes que passam de geração em geração. É esta conjugação entre tradição e modernidade, entre inovação e identidade local, que torna o Rosário tão especial. Queremos continuar a reforçar esta dimensão coletiva, para que a festa seja cada vez mais participada, dinâmica e representativa daquilo que somos enquanto comunidade.
A feira das tasquinhas é sempre um ponto alto. Este ano, além da feira no Mercado Municipal, existiu ao longo do parque urbano, bem como um regresso às tradições antigas, como a presença das louceiras. Era isso que faltava?
Acredito que era importante reforçar a ligação da festa às suas raízes e, ao mesmo tempo, criar possibilidades de participação. As tasquinhas são um espaço privilegiado de participação das Associações locais, que se tornou ao longo dos anos um local de convívio, de gastronomia e de valorização dos sabores e das tradições locais. No Parque Urbano, optamos por criar uma praça lounge, onde colocamos também produtos locais, que a população pode petiscar e dessa forma permitiu alargar a dimensão da festa. Não diria que faltavam louceiras, diria antes que fazia sentido recuperar e valorizar elementos que nos ligam à nossa história, integrando-os numa festa que também tem de saber evoluir. A modernização ganha verdadeiro sentido quando não apaga as nossas raízes, mas lhes dá mais visibilidade.
A programação cruza a componente religiosa com concertos, música tradicional, gastronomia e outras iniciativas culturais. Como é feita a articulação entre estas diferentes dimensões para garantir que a festa continua a representar a identidade de Gondomar?
A identidade da Festa de Nossa Senhora do Rosário constrói-se precisamente através dessa diversidade, respeitando a importância de cada uma das suas dimensões. A componente litúrgica/religiosa está no centro da tradição e tem um significado profundo para muitos gondomarenses e até para muitos dos que nos visitam. A procissão sempre foi um momento alto das Festas, onde milhares de pessoas saem à rua. A par disso, temos a parte profana, onde teve lugar a música, a cultura popular, o fogo de artifício, a gastronomia e onde os comerciantes ajudaram a criar um espaço de convívio e de partilha que envolve toda a comunidade.
Que aspetos desta edição considera que devem ser mantidos e que melhorias poderão ser introduzidas no próximo ano?
Devemos manter aquilo que define a festa: a tradição, a componente religiosa, a gastronomia, o artesanato, a participação das associações e o ambiente de encontro entre gerações. Quanto às melhorias, devemos avaliar cuidadosamente a circulação de pessoas, a organização dos espaços, as condições oferecidas aos feirantes, a sinalização e a articulação da programação. A opinião dos visitantes, dos comerciantes, das associações e de todos os envolvidos será importante para percebermos onde podemos evoluir. De acordo com os inquéritos feitos aos comerciantes, vai ser feita uma análise profunda relativa às sugestões que nos deixaram e obviamente teremos essas propostas em conta para as edições futuras. Uma festa desta dimensão constrói-se com trabalho, avaliação e capacidade de melhorar de ano para ano. O objetivo não é mudar por mudar, mas aperfeiçoar o que fazemos, respeitando sempre a identidade de Gondomar.
Que mensagem gostaria de deixar aos gondomarenses, aos comerciantes, aos feirantes e a todos os que contribuíram para o sucesso desta edição?
Quero deixar uma palavra de agradecimento a todos os gondomarenses, às associações, aos comerciantes, aos feirantes, aos artesãos e a todas as pessoas que contribuíram para esta edição. Quero agradecer também publicamente às equipas da câmara, não só as que trabalham diretamente comigo, mas a todas que trabalharam e se empenharam para que a nossa festa fosse um sucesso. Uma festa desta dimensão não se faz apenas com programação ou organização municipal, faz-se com a participação das pessoas, com o empenho de quem trabalha para que tudo aconteça e com o orgulho de uma comunidade nas suas tradições. A Festa do Rosário pertence a Gondomar e aos gondomarenses. É um património que recebemos das gerações anteriores e que temos a responsabilidade de preservar e transmitir às gerações futuras. Queremos continuar a valorizá-la, tornando-a cada vez mais atrativa, organizada e representativa daquilo que somos, sem nunca perder a sua autenticidade. Espero que a nossa Festa em pouco tempo se torne uma atratividade da área metropolitana do Porto, que seja visita obrigatória no roteiro de festas e romarias e reconhecida além-fronteiras.