O ato eleitoral é o momento mais importante para a democracia, onde são eleitos os seus representantes. Quando se chega à mesa de voto já se depara com a mesa preparada para o receber. Mas como se processa esta preparação até ao dia do ato eleitoral?
“Começa tudo com a marcação da eleição. A partir daí há um mapa eleitoral que é elaborado pela Comissão Nacional de Eleições que indica todos os prazos em que temos de ter os documentos e os boletins prontos para o dia da eleição”, explica Maria do Céu representante da organização das eleições em Gondomar.
A eleição para o presidente da República, para o 1º sufrágio, a 18 de Janeiro, já estava a ser preparada desde o início de dezembro. A data do voto antecipado foi agendada para 11 de Janeiro. A polémica destas eleições prendeu-se com a utilização de um boletim de voto em que três dos candidatos foram excluídos pelo tribunal constitucional.
“Quando são excluídos do boletim de voto há outros prazos que estão a decorrer e necessitam de ser cumpridos. E mesmo até à exclusão da candidatura é passível de recorrer e nesse momento já estão a decorrer as inscrições para o voto antecipado, daí não ter sido possível excluí-los do boletim de voto. Não havia tempo suficiente para que isso fosse feito e os boletins chegassem a tempo das mesas”, explica.
Contrariamente ao Município do Porto, por exemplo, em que o voto antecipado decorre num só local, em Gondomar houve 12 mesas de voto antecipado em ambos os momentos de voto. No voto “normal” são 158 mesas. O voto antecipado normalmente é o mais demorado sendo que passa por dois processos: a colocação do voto num envelope branco e à posteriori num envelope azul identificativo do eleitor.
“A colocação da identificação do eleitor no envelope azul prende-se com o facto de as pessoas nas mesas de voto no dia da eleição “descarregarem” da listagem os eleitores que votaram antecipadamente, assim como quando as pessoas se dirigem à mesa de voto dizendo o seu nome em voz alta para que os escrutinadores o façam. Permite que seja possível contar quantas pessoas se deslocaram à mesa de voto e fazendo a contagem dos mesmos”, explica.
O Município de Gondomar tem cerca de 15 pessoas na parte administrativa e na parte operacional por volta de 70, para que seja possível estar tudo pronto para a eleição.
“Ao contrário do que muitos pensam é um processo demorado, porque numa fase inicial temos de encomendar às gráficas os envelopes para colocar nas mesas, comprar a fita cola, as canetas, o lacre, que são financiados pela Câmara Municipal de Gondomar, numa fase inicial. A Administração central faz chegar o boletim de voto, os protestos e reclamações da Comissão Nacional de Eleições, bem como as canetas que vêm gravadas com “CNE”. À posteriori o Estado dá uma verba à autarquia”, afirma e acrescenta que: “No caso das eleições autárquicas o boletim de voto é realizado pela própria Câmara”.
Uma mesa de voto pode apenas ter como número mínimo três pessoas, caso isso não ocorra no dia do ato eleitoral, as entidades responsáveis têm de conseguir colocar alguém para que a mesa consiga trabalhar.
“Para as mesas de voto, como achamos que o guia explicativo de como funciona a mesa era algo massador e que honestamente muitas das pessoas não iam ler. Então realizamos um mais intuitivo que é afixado nas salas das mesas e um passo a passo explicativo dos processos”, confessa, orgulhosa.
Após horas e horas de trabalho, boletins de voto impressos, envelopes organizados, cartazes afixados, mesas organizadas chega o dia da eleição. “Os sacos com os votos chegam ao edifício da Câmara Municipal de Gondomar e são organizados de forma a não se misturarem as freguesias. São levados para os respetivos tribunais. O envelope para a Assembleia de Apuramento é retirado dos sacos e colocado noutros. É entregue nessa mesma Assembleia, que nestas eleições presidenciais foi em Gaia, contudo nas autárquicas foi em Gondomar, o que para nós até se torna mais difícil pelo contacto direto (risos)”, refere.
Para finalizar, Maria do Céu confessa que “é um trabalho que me dá gosto. Gosto do que faço normalmente, mas as eleições é algo que me dá muito prazer”.