Projeto municipal reforça a segurança, o acompanhamento e a autonomia da população sénior, combinando teleassistência, apoio emocional, transporte para serviços essenciais e atividades de convívio. Desde junho, a iniciativa já conta com cerca de 130 inscritos.
O envelhecimento da população coloca novos desafios às políticas sociais e exige respostas cada vez mais próximas, humanas e ajustadas às necessidades de cada pessoa. Em Gondomar, os números dos Censos de 2021 evidenciam esta realidade: o concelho registava 35 095 pessoas com 65 ou mais anos, face às 25 170 contabilizadas em 2011. Perante este crescimento, o Município reforçou a aposta no acompanhamento da população sénior, procurando garantir mais segurança, autonomia e qualidade de vida a quem deseja envelhecer na sua própria casa.
Foi neste contexto que nasceu o Aproxima+, uma evolução do projeto Aproxima, iniciado em setembro de 2023, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Com o fim desse financiamento, a autarquia decidiu dar continuidade à resposta, alargando o âmbito da intervenção e criando formas de apoio à população idosa. A nova fase arrancou em junho deste ano e pretende ir além da teleassistência, reforçando o acompanhamento quotidiano e o combate ao isolamento social.
“A iniciativa assenta numa rede de proteção e apoio que conjuga tecnologia e presença humana. Através de equipamentos de teleassistência, os beneficiários podem pedir ajuda em emergências, contactar os serviços de apoio e, quando necessário, acionar meios de socorro. O projeto inclui também uma linha de apoio emocional, a “Voz Amiga”, e serviços destinados a facilitar o acesso a consultas, bens essenciais e outras necessidades do dia a dia”, refere a vereadora com o pelouro da Coesão Social, Ana Luísa Gomes.
Entre os beneficiários estão Maria Neves, de 82 anos, e Teófilo Neves, de 81, que veem no projeto uma oportunidade para manter a independência e enfrentar com maior tranquilidade as tarefas quotidianas. O casal prepara-se para começar a utilizar o serviço de transporte, que permite deslocações a locais como o hospital e o supermercado, de acordo com as necessidades identificadas.
“O transporte vamos começar a utilizar agora, já temos três marcações, que é um apoio que nos dão para irmos ao hospital e irmos ao supermercado”, explica Maria Neves, sublinhando a importância desta resposta para quem pretende preservar a autonomia. “É uma forma de sermos mais independentes e não termos de depender dos filhos e de chamar táxi”.
Maria Neves e Teófilo Neves
A segurança proporcionada pelo equipamento de teleassistência é outro dos aspetos valorizados pelo casal. Em caso de necessidade, basta carregar no botão para que a equipa entre em contacto e perceba se ocorreu alguma emergência. O serviço funciona permanentemente, 24 horas por dia, durante todo o ano.
“Quando se toca no aparelho, eles têm logo acesso e ligam logo para perceber se aconteceu alguma coisa”, conta Maria Neves, que considera importante saber que existe alguém disponível para responder a um pedido de ajuda.
Também Teófilo Neves reconhece a importância do acompanhamento proporcionado pelo projeto. “Estamos mais apoiados. É um grande apoio. Estamos bem servidos com este aparelho”, afirma.
A teleassistência é apenas uma das vertentes do Aproxima+. A experiência de quem beneficia do serviço demonstra que a segurança não depende apenas da possibilidade de pedir ajuda numa emergência, mas também da certeza de que existe alguém atento e disponível para ouvir.
É o caso de Arminda Paredes, de 72 anos, que encontrou no equipamento uma forma de se sentir mais acompanhada. Para a beneficiária, a iniciativa representa também uma preocupação do Município com as pessoas que vivem em situações de maior vulnerabilidade.
Arminda Paredes
“Eu acho que a Câmara estar a olhar para os mais carenciados é bom. Tenho o aparelho que faz com que me sinta segura, porque tenho uma pessoa do outro lado que me vai ouvir”, afirma.
O acompanhamento vai além dos contactos iniciados pela própria beneficiária. Quando há demora em estabelecer contacto, a equipa também pode ligar para confirmar se está tudo bem, reforçando a sensação de segurança. O equipamento está ainda associado ao contacto de emergência da filha de Arminda, que pode ser chamada caso a mãe não atenda.
“Faz com que me deixe de sentir sozinha. Estou sozinha e tenho sempre um amigo na mesinha de cabeceira a quem possa recorrer”, descreve.
Apesar de reconhecer os benefícios da resposta, Arminda explica que está habituada a viver sozinha e que aprendeu a lidar com a solidão. “Ainda não usei. Dou-me bem com a solidão porque fui habituada assim”, refere, sem deixar de valorizar a existência de um apoio a que pode recorrer quando precisar.
“Para responder a diferentes necessidades, o Aproxima+ integra duas novas linhas de intervenção: o Aproxima+ Comunidade, orientado para o acompanhamento no acesso a serviços essenciais e no exercício de direitos, e o Aproxima+ Ação, dedicado à promoção do convívio, da estimulação física e cognitiva e da participação social, tanto no domicílio como na comunidade”, esclarece a vereadora com o pelouro da Coesão Social.
O funcionamento destas respostas é acompanhado pelas técnicas de ação social Filipa Sousa e Liliana Tavares, que identificam as necessidades dos beneficiários e procuram ajustar o apoio às circunstâncias de cada pessoa.
Filipa Sousa e Liliana Tavares - técnicas
“Eles podem ativar sempre que precisarem, seja por questões de saúde, seja por questões de vulnerabilidade, se sentirem que alguém está a rondar a casa, por exemplo”, explica Filipa Sousa, referindo-se às possibilidades de utilização da teleassistência.
“O acesso à resposta destina-se a pessoas com mais de 60 anos, sendo necessário proceder à inscrição. Entre os critérios considerados está a existência de situações de isolamento social, que podem condicionar o acesso a serviços e a satisfação de necessidades básicas. Além do acompanhamento individual, o Aproxima+ promove atividades de estimulação física e cognitiva, desenvolvidas pela equipa técnica no domicílio ou em contexto comunitário. A intenção é prevenir situações de maior vulnerabilidade, incentivar o convívio e criar oportunidades para que os seniores mantenham uma participação ativa na sociedade”, sublinha a técnica Liliana Tavares.
Estas respostas procuram concretizar o conceito de ageing in place, ou seja, criar condições para que as pessoas possam envelhecer na sua própria casa e no meio onde construíram as suas relações, preservando os seus hábitos, referências e laços comunitários, sem prescindir da segurança e do bem-estar.
O objetivo deste projeto é construir uma resposta integrada, capaz de conjugar a tecnologia com o acompanhamento humano e de intervir antes que situações de vulnerabilidade se agravem.
Ana Luísa Gomes, vereadora da Coesão Social