O Mund'art está de regresso a Fânzeres para mais uma celebração da cultura e das tradições do mundo. Organizado pelo Rancho Regional de Fânzeres, o festival volta a reunir grupos internacionais e nacionais numa edição em que a aposta é a diversidade cultural. Estivemos à conversa com Alfredo Machado, presidente da coletividade, sobre os desafios da organização, as novidades deste ano e o futuro do evento.
O Mund'art está de regresso. O que podem esperar os visitantes desta edição?
O Mund'art será muito semelhante ao do ano passado, mas teremos uma novidade importante: a participação de Marrocos, um país que nunca tinha estado presente no nosso festival. No total, vamos receber grupos do México, Argentina, Marrocos, Itália, França, Sérvia, República Checa e Turquia. Além disso, no dia 31 de julho teremos, ainda, a participação especial de um grupo da Madeira.
A programação terá algumas novidades?
Sim. Este ano vamos realizar quatro galas de folclore distintas. A gala de abertura acontece no dia 24 de julho. Depois, no dia 28 teremos uma gala com quatro grupos internacionais. A 1 de agosto realiza-se outra gala com os restantes grupos estrangeiros e o grupo da Madeira. Finalmente, no sábado teremos uma gala dedicada exclusivamente a grupos portugueses, com a participação de cinco grupos nacionais.
Uma das iniciativas mais diferenciadoras continua a ser a missa folclórica. Como surgiu esta ideia?
Era uma ideia que já tinha há algum tempo e que felizmente conseguimos concretizar, quando nos inserimos nas festividades em honra do São Tiago, que se realizam na mesma altura na Vila de Fânzeres. Vamos realizar uma missa folclórica com quatro grupos internacionais. Em vez dos cânticos habituais, serão os próprios grupos a interpretar os momentos musicais da celebração, na sua língua e de acordo com as tradições dos respetivos países. Este ano os países que vão participar são o México, Argentina, Itália e República Checa. Mas de realçar que isto só acontece porque temos a sorte de contar com um pároco que tem uma visão aberta e que acolhe muito bem este tipo de iniciativas.
O festival continua a crescer. Há margem para aumentar ainda mais a dimensão do evento?
Há sempre margem para crescer, mas isso implica diversificar a oferta. Gostaria de complementar o folclore com outros tipos de música e com uma maior aposta na gastronomia internacional. Seria uma forma de dar a conhecer culturas diferentes e, ao mesmo tempo, dinamizar a economia local.
O Mund'art é já uma referência nacional. Alguma vez pensou integrar o CIOFF?
Nós não somos certificados pelo CIOFF (Conselho Internacional de Organizações de Festivais de Folclore e Artes Tradicionais), mas fazemos parte. O conselho demonstrou muito interesse devido à dimensão do nosso espetáculo, contudo nos eventos certificados pelo CIOFF o mínimo de grupos exigido são cinco e nós recebemos oito. Este ano até poderíamos ter nove, mas não tínhamos capacidade de alojamento suficiente na escola onde os grupos pernoitam. É algo que gostaria de concretizar no futuro.
Que apoios são fundamentais para a realização de um evento desta dimensão?
Temos contado com o apoio da Câmara Municipal de Gondomar e da Junta de Freguesia de Fânzeres, tanto a nível financeiro como logístico. A Junta, além do apoio anual às coletividades, atribui-nos um apoio extraordinário de cerca de três mil euros porque reconhece o trabalho que temos desenvolvido na promoção da freguesia e do rancho. A Câmara Municipal apoia-nos com cerca de onze mil euros. São apoios muito importantes porque este é um festival bastante dispendioso.
Quais são os maiores desafios na sua organização?
A logística é enorme. Neste momento estamos a falar de cerca de 300 camas para alojamento e da mobilização de dois autocarros para transporte dos participantes. Temos atualmente cerca de 66 pessoas envolvidas diretamente na organização e funcionamento do grupo. Tudo isto exige uma preparação muito cuidada.
O espaço onde o festival decorre é uma limitação?
Infelizmente ainda não dispomos de um espaço totalmente adequado para um evento desta dimensão. A Câmara chegou a sugerir a realização do festival no parque de estacionamento do Parque Urbano de Fânzeres, mas não seria viável porque implicaria a instalação de bancadas e outras infraestruturas. Já sugeri que, no futuro, quando forem desenvolvidos novos espaços, seja considerada uma área preparada para acolher espetáculos desta natureza.
O que distingue o Rancho Regional de Fânzeres de tantos outros grupos folclóricos?
Aquilo que mais nos distingue é o ambiente que se vive dentro do grupo. Temos pessoas que vêm de outros concelhos, como Matosinhos, apesar de existirem vários ranchos muito mais perto das suas residências. Escolheram-nos porque se identificaram com o ambiente, com a forma como são recebidas e valorizadas. Aqui sabemos ouvir as pessoas e criar um espírito de família. Ninguém recebe para estar aqui. Todos participam pelo prazer de dançar, cantar e preservar as tradições.
O grupo continua a atrair muitos jovens?
Sim, e isso é algo que nos deixa muito satisfeitos. Este ano temos mais dez elementos do que no ano passado. Temos crianças muito jovens, algumas com apenas 10 ou 11 anos, e até uma menina de dois anos que ainda não dança, mas que já acompanha os ensaios e reproduz alguns gestos típicos (risos). Também temos uma jovem de 19 anos que se ofereceu para cantar no rancho e que nos surpreendeu pela qualidade. Cantar folclore não é fácil e encontrar jovens interessados é muito positivo.
O programa inclui outras atividades além das atuações?
Sim. Este ano vamos realizar uma visita ao Cavalete de São Vicente, em São Pedro da Cova, numa iniciativa articulada com a Junta de Freguesia. Procuramos sempre proporcionar aos grupos visitantes um contacto mais próximo com a história e o património do nosso concelho.
Como vê a valorização do folclore em Portugal comparativamente com outros países?
Infelizmente, sentimos que o folclore é mais valorizado no estrangeiro do que em Portugal. Em muitos países as pessoas pagam bilhete para assistir a espetáculos folclóricos e reconhecem o valor cultural destas iniciativas. Em Portugal ainda existe alguma resistência e, por vezes, as pessoas consideram caro pagar um valor simbólico para assistir a um espetáculo desta natureza.
Que mensagem gostaria de deixar aos visitantes desta edição do Mund'art?
Gostaria de convidar todos a visitarem o festival e a conhecerem a riqueza cultural dos diferentes países que estarão presentes. O Mund'art é muito mais do que um festival de folclore; é um espaço de encontro entre culturas, de amizade e de partilha. Quem nos visitar terá a oportunidade de viajar pelo mundo sem sair de Fânzeres.