A Universidade Sénior de Gondomar é um dos promotores de felicidade entre as pessoas a partir dos 50 anos. 20 anos depois é um dos motivos para a redução de medicação dos seus alunos e pela promoção de casamentos entre outros tantos. Fomos falar com o diretor da Universidade Sénior, António Braz.
Que balanço faz destes 20 anos da USG?
É um balanço positivo. É uma instituição que nasceu com 63 alunos. Um conjunto de pessoas de Gondomar que se dispôs a realizar esta experiência, que é bastante positiva porque somos das primeiras universidades séniores do país. Desde o seu nascimento desde 2006 até agora, tem sido um crescimento sustentável. Todos os anos temos mais inscrições e mais disciplinas fazendo os nossos alunos cada vez mais felizes.
A Universidade Sénior surge com o intuito de responder aos anseios da população mais sénior que acaba por estar reformada e querer manter a sua vida ativa. É uma aposta ganha?
Sim. As pessoas que vêm para a Universidade Sénior sentem-se mais felizes porque um dos casos que está testado pelo presidente da RUTIS é que as pessoas quando se inscrevem nestas universidades deixam parte da sua medicação. Há uma efetiva realização das pessoas. Porque deixam de ter uma vida sedentária passando-a na Universidade de forma ativa. A confraternização, a aprendizagem e a realização de sonhos que a vida profissional não permitiu e acabam por fazê-lo na Universidade.
Há alunos que propõe disciplinas para o desenvolvimento da Universidade?
Todos os anos quando colocamos novas disciplinas ou alargando as existentes porque os alunos nos pedem. Temos algumas disciplinas que têm vários níveis de acordo com o conhecimento de cada um. A grande maioria das novas disciplinas que vamos introduzindo é sugestão dos novos alunos. Devemos reiterar que há alunos que dão aulas, e vice-versa, professores que são alunos.
Tem alunos analfabetos?
Não, não temos. Diria que todos os alunos têm a escolaridade mínima obrigatória. Não há alunos que queiram aprender a escrever.
Quando a Universidade foi fundada, a 15 de Março de 2006, tinha 63 alunos. Quantos são agora?
São 450 alunos e cerca de 55 professores.
Que idade tem o aluno mais idoso?
Tem 92 anos. A maior parte dos nossos alunos tem entre os 65 e os 85, direi. Ainda temos alunos que estão connosco desde 2006, são 15 alunos.
Que disciplinas tem?
Temos 55 disciplinas. Só colocamos uma disciplina em funcionamento quando temos no mínimo 6 alunos. Acontece durante o ano termos de terminar disciplinas por falta de alunos.
Quais são as aulas preferenciais dos alunos?
História de Portugal e do Mundo, com o professor Santos Castro. O facto de se fazer visitas pelo país e perceber a história desses mesmos locais é o que cativa os alunos.
Como sobrevive uma Universidade Sénior?
Com as propinas dos alunos, que ronda os 15 euros por mês para duas disciplinas, algumas são gratuitas. E o apoio da Junta de Freguesia, cerca de 30 mil euros, e a Câmara Municipal de Gondomar comparticipa parcialmente no pagamento da renda.
Que grupos musicais tem a Universidade Sénior?
Temos vários. A tuna, as violas e cavaquinhos, o coro, danças regionais, danças de salão, grupos musicais temos cerca de sete. Estes grupos representam-nos em várias atividades. Não é com o propósito de competir, mas sim de confraternização.
Além dos grupos nós tínhamos algumas iniciativas, como o convida onde convidávamos uma professora a falar sobre vários assuntos para esclarecer os nossos alunos.
A USG faz parte da RUTIS que valências é que isso traz?
Fazemos parte do Conselho Geral da RUTIS. A RUTIS é a confederação das universidades séniores que somos cerca de 400 no país. É negociadora com o governo com alguns benefícios para as pessoas que andam nestas instituições. Fomos considerados parceiros sociais. Estamos a tentar que seja concedido aos professores e aos alunos alguns benefícios do que poupam as universidades na medicação.
Além das aulas e de algumas iniciativas promovidas pela USG, também têm um jornal feito pelos alunos, o HERMES, com que propósito o criaram?
Regista as atividades que fazemos. É um grupo ligado à poesia que faz um esforço para divulgar as publicações. É uma forma de ficar cadastrado o que é feito ao longo do ano na universidade.
Os jovens a partir dos 50 anos podem inscrever-se em qualquer altura do ano?Começamos o ano letivo em Outubro onde entra a esmagadora maioria dos alunos. Em qualquer altura do ano podem fazer a sua inscrição e se houver vagas na disciplina que quer pode entrar a qualquer momento. Preferencialmente em Junho os nossos alunos devem renovar a sua inscrição e em Setembro há o período de inscrição de novos alunos, mas fora essas datas podem entrar quando quiserem.
Ainda há mais para onde crescer?
Não muito, temos alguma margem pelo menos até aos 500 alunos, mas a nível de espaço já começamos a ficar limitados.
Quantas pessoas são necessárias para a gestão diária da Universidade?
Temos duas pessoas que estão na secretaria, duas no bar, e a Goretti Mota e a Ana Torres na Universidade Sénior. É de salientar que os professores são todos voluntários.
O espaço da Universidade Sénior é alugado pelo Clube Ala Nun’Álvares. Pretendem ter um local vosso?
Este é o espaço mais recomendável pela universidade, por ser central, é um edifício de interesse público. Foi aqui que a Ala Nun’Álvares deu sessões de cinema e promoveu inúmeros eventos culturais e nós sentimos parte dessa mesma cultura. Queremos dar continuidade ao que já foi feito mantendo-nos aqui e promovendo a cultura através dos nossos alunos. Temos boas relações com o clube. Estarmos aqui é benéfico para ambos, bem como para o concelho e para a Freguesia. Neste momento precisamos de melhorar as condições com melhores acessibilidades.
Já tentamos colocar um polo na Escola Dramática, mas não houve tanta adesão. Para as pessoas a Universidade Sénior é no Souto.
Quais são os objetivos futuros?
Pretendemos melhorar as instalações. Cada vez nos estamos a dotar de melhores equipamentos. Assim o exigem as disciplinas e temos feito esse esforço.
Durante o ano fazemos muitas iniciativas que promovem a cultura, uma visita de estudo pelo menos uma vez por mês a um elemento cultural da Área Metropolitana do Porto.
Que mensagem gostaria de deixar?
Uma mensagem de grande confiança e de grande alegria, porque a Universidade Sénior é uma fábrica da felicidade. As pessoas quando estão de férias querem que a universidade abra. Ficam ansiosos.
O Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, Luís Filipe Araújo felicita a Universidade Sénior e afirma que é “uma instituição com cerca de 500 alunos com grande relevância para o concelho. Vou acompanhando o trabalho que é feito diariamente e a forma como os alunos se empenham nas atividades e em tudo o que anda à volta da Universidade. Cada vez mais vamos precisar de mais instituições que se dedicam aos mais velhos, nós sabemos que a nossa esperança média de vida tem vindo a aumentar, as nossas populações vão-se tornar mais envelhecidas à conta disso. A universidade sénior faz um trabalho muito grande nessa área. Se não fosse a Universidade estariam em casa fechadas sozinhos, muitos deles, e assim estão em comunidade e ativos na mesma. Temos um concelho inclusivo. O desenraizamento social que assistimos nos últimos anos, e hoje, nos mais jovens é muito pronunciado pela utilização excessiva das tecnologias, tem de ser contrariado, que venham mais 20 anos!”.