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Vítor Pereira foi 15 vezes campeão nacional de veteranos em ténis

A idade não é impedimento quando se trata de jogar ténis e a prova disso é o fanzerense Vítor Pereira que começou neste desporto aos 35 anos de idade e já foi campeão nacional 15 vezes. O Vivacidade esteve à conversa com o tenista para saber a sua história. 

Como começou a prática do ténis? 

Desde miúdo fui sempre uma pessoa muito ligada ao desporto. Comecei com 11 anos no atletismo. Havia competições entre os liceus e foi nesse âmbito que comecei. Entretanto os olheiros do FC Porto disseram que tinha jeito para o atletismo e eu fui. Depois com a faculdade e da forma que era gerido, após o 25 de abril, acabei por desistir.  Entretanto depois do curso, de casar e quando tive filhos como tinha de levar o meu filho ao basquetebol tive que arranjar um entretenimento para não estar ali duas horas à espera que ele acabasse o treino e foi aí que apareceu o ténis. Enquanto o meu filho treinava Basket eu ia para o ténis. E começou, assim, aos 38 anos o ténis. 

Porquê o ténis?

Primeiro porque só são precisos dois para jogar enquanto que num outro desporto precisamos de 5 ou de 10 e há sempre um ou outro que não pode e origina-se sempre uma confusão porque não se pode jogar. No ténis não, basta só arranjar outro e foi assim que comecei. Este desporto também é muito engraçado, porque dois indivíduos que jogam mal é sempre um diversão muito forte, e é importante, mas dois que jogam bem também o é, portanto como fui evoluindo no nível fui jogando com parceiros diferentes e evolui.

Como começou a ingressar nas competições?

É o bichinho de competir que nos faz querer ir mais além. Faço a primeira competição no ténis no escalão dos 35. 

O ténis diferencia-se dos outros desportos porque as pessoas podem jogar até muito tarde. Portanto nas competições de ténis além dos escalões normais até aos séniores há também os veteranos com escalões de 5 em 5 anos, até aos 80. Não há limite para competir nesta modalidade, há campeonatos nacionais para mais de 80 tanto a nível nacional como mundial. Tanto que no nosso campeonato nacional temos jogadores de 75 anos e no mundial há mesmo com 80. Eu há dois anos fui ao mundial, representar Portugal, vi pessoas de 80 anos a jogar e ainda tinha uma plateia com cerca de 200 pessoas a assistir, de tão divertido que é.

Como é que funciona para ir às competições?

Há competições todas as semanas, se for ao site da federação portuguesa de ténis vê que nós podemos fazer competições todos os fins de semana, basta se inscrever. Neste momento há uma aplicação onde nós nos inscrevemos. Depois cada torneio tem a sua pontuação e depois a melhor pontuação é o que conta para a classificação, quanto melhor o torneio melhor a classificação. Há níveis e depois enquadramo-nos onde queremos estar.

Como é que conseguiu evoluir nesta modalidade? 

Evolui porque sempre pratiquei desporto. Comecei aos 38 anos e hoje tenho 66. Ganhei 15 campeonatos nacionais individuais nos diferentes escalões. Nunca ganhei nos 35, apesar de ter sido número 1. O facto de ter tido disciplina desportiva e de ter algumas regras fez com que conseguisse evoluir, não descorando os três factores, que para mim são fundamentais, a família, a atividade profissional e um hobbie, o meu é o desporto, neste caso o ténis. Além do próprio desporto temos também o convívio que é muito importante. Sinto, também, que a prática desportiva faz com que eu consiga aliviar do stress do dia a dia e mesmo que tenha um problema faz com que me sinta melhor em relação a ele. 

O Vítor já treinou em Gondomar e à posteriori foi dirigente e presidente do Clube de Ténis do Porto, questiono o motivo de ter saído de Gondomar?

Eu sai de Gondomar para evoluir, porque já não tinha jogadores para jogar comigo e acabei por ir para o Clube de Ténis do Porto, em Damião de Góis. Fui campeão por Gondomar mas depois fui representar o Clube de Ténis do Porto.

Qual é o seu tipo de jogo, isto é, podemos dividir a forma de jogar ténis em dois, uma delas é a técnica ou a força, correto? Qual é a sua táctica?

Sinto que sou o Nadal do Ténis, pelo menos é como me revejo, eu não tenho uma técnica porque comecei a jogar aos 38 anos, como é óbvio uso mais a força, porque nasci sem técnica e não pratico desde criança. Há um período para se aprender tudo e eu passei esse período.

Qual é o seu estilo de campo? Terra batida ou piso rápido?

Primeiramente gostaria de explicar a diferença entre os campos que é visível no que toca ao movimento que se tem no jogo, no piso rápido o pé pára e começa a desgastar o joelho enquanto na terra batida os pés deslizam e é mais fácil de jogar. Normalmente é melhor a terra batida, por causa dos joelhos. Quando faço os campeonatos em Vale do Lobo eu saio sempre de lá de “gatas”, porque é piso rápido. A grande questão é que quando é terra batida é preciso muita manutenção e é preciso saber fazer. Cada vez menos há mão de obra para isso. Por isso quando fazem campos novos fazem em piso rápido. Agora no clube de ténis nós temos um piso rápido que jogamos e já não nos cansamos porque colocamos umas camadas de borracha que permite que se joguemos e não haja tanto desgaste.

A nível de campeonatos em quantos é que foi campeão?

Tenho 15 campeonatos em que fui campeão nacional. Depois em pares fui campeão quatro vezes e em pares mistos fui duas. Nós também temos torneios por equipas. A nível internacional, gostava muito de jogar os campeonatos mundiais, só joguei uma vez por equipas, há dois anos, que ficamos em sexto lugar, a representar Portugal. Porque normalmente estes campeonatos são caros e são sempre antes dos individuais. Este ano gostava de ir ao campeonato mundial e individual. 

Como se encontra o ténis em Portugal? 

Apesar de sermos poucos, acho que a Federação que está neste momento à frente do ténis em Portugal está a fazer um bom trabalho. Para os mais jovens praticarem ténis têm de ter muita capacidade de sofrimento e hoje já não há disso, porque se formos a ver os grandes atletas não são os ditos “meninos da mamã” são os que já sofreram muito. Para ser bom em qualquer coisa tem de se investir, seja no que for. Hoje em dia, não há afinco, não há o pensamento de se ser alguém. E isto tem que começar logo na escola.

Transpondo agora para o concelho de Gondomar, não acha que deveriam existir mais campos de ténis, para que as pessoas pudessem treinar? 

Aqui em Gondomar há 5 campos de ténis. Existe o campo nas freiras que tem dois campos e é gratuito e na Ala que é um clube e tem de se pagar para ir treinar e é claramente insuficiente por isso é que as pessoas, como eu, vão treinar para o Porto porque há mais disponibilidade e mais campos. 

Acho que se tem feito uma promoção muito forte no ténis, mas para ser campeão têm de ser pessoas que devem ter ajuda dos pais, porque é um desporto caro por si só, e ter disponibilidade física e mental para aguentar o ténis. Quem tiver isto consegue evoluir neste desporto. Sem trabalho nada feito, mas não é só no ténis é em tudo. 

 

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