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“Um repórter inconveniente” em Valbom

[caption id="attachment_4360" align="alignleft" width="300"]Um Repórter Inconveniente, Aurélio Cunha/ Foto:Direitos Reservados Um Repórter Inconveniente, Aurélio Cunha/ Foto:Direitos Reservados[/caption]

A Escola Dramática e Musical Valboense recebeu, a 2 de maio, um repórter diferente, “inconveniente”. Aurélio Cunha foi jornalista no Jornal de Notícias e teve várias vezes que recorrer à clandestinidade dentro do seu próprio jornal para desempenhar o seu papel de repórter de investigação. O profissional aposentado apresentou a segunda edição da sua obra mais recente, “Um repórter inconveniente”, em Valbom, cidade onde residiu durante vários anos.    

“O livro conta essencialmente as dificuldades que tive para ser jornalista, porque recusava-me a ser apenas um jornalista de atualidade. Sempre gostei de jornalismo de investigação mas as redações não estavam preparadas para isso. Eu ou era um clandestino ou era um jornalista”, começa por contar ao Vivacidade, Aurélio Cunha, o “repórter inconveniente”. A obra conta uma história real de um jornalista que, “para o ser, tal como a sua consciência profissional o exigia, recusou a condição de escriturário da redação, para enveredar, à revelia das chefias, pela investigação jornalística, género então pouco ou nada praticado nos jornais portugueses”, revela a sinopse do livro.

Aurélio Cunha escreveu grandes reportagens com impacto internacional que originaram a promulgação de novas leis. É o caso de uma reportagem sobre transfusões de sangue. “Os doentes iam ao hospital curar-se e acabavam por apanhar Sida”, conta o jornalista. “Ainda sou solicitado por algumas pessoas que me reportam alguns casos polémicos. Eu cheguei a ser muitas vezes o 112 do leitor do JN. Fui alvo de ciúmes por parte dos meus colegas, isso também está expresso no livro”, acrescenta.

Segundo o autor, o livro tem merecido muito entusiasmo sobretudo por parte de professores de jornalismo que o consideram “indispensável para os jovens jornalistas”. O historiador e jornalista Germano Silva também esteve presente na apresentação da obra e interveio na cerimónia. Ao Vivacidade revela alguma surpresa no produto final da obra. “Pensei que ele ia reproduzir no livro as reportagens que fez mas o mérito do livro é que o Aurélio conta como fez as reportagens e explica os motivos que o levaram a fazer as reportagens. Na minha opinião este livro devia ser obrigatório nas escolas de jornalismo”, declara o historiador. “O facto de ele ser repórter de investigação foi inconveniente para ele e por vezes foi alvo dos colegas. O Aurélio chegou a estar de baixa propositadamente para fazer as reportagens e ninguém cobria as despesas que ele tinha”, acrescenta Germano Silva.

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