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Planetário esgotado para a estreia do novo documentário de Paulo Ferreira

Paulo Ferreira, gondomarense, apresentou um documentário da sua autoria sobre a Islândia e a sua natureza, no passado dia 3 de Fevereiro, no Planetário do Porto. Devido à afluência foram abertas duas sessões no mesmo dia. O Vivacidade esteve à conversa com o realizador.

 

1- Como é que surgiu a ideia da escolha da Islândia e porquê?

A escolha da Islândia foi um processo natural. Já percorri vários países ao redor do mundo e tenho conhecido muitas culturas e outros locais com paisagens de rara beleza. A Islândia é um deles. No entanto ao longo da minha carreira enquanto fotógrafo de natureza e realizador de documentários naturais, surgiu a oportunidade de ir à Islândia em 2019 e 4 anos depois senti o apelo de regressar para concluir o que não tinha conseguido registar na primeira viagem. Não sei apontar uma razão para preferir locais gelados. Talvez seja um ímpeto natural que me leva a querer mostrar o degelo dos glaciares, dado que são uma das faces mais visíveis das alterações climáticas.

 2- Gostaríamos, inicialmente, de perceber como foi feito todo o processo de realização deste documentário?

Para realizar este documentário, estive cerca de 30 dias na Islândia. 15 dias em 2019 e 15 dias em 2023. A primeira viagem serviu para conhecer a ilha e perceber a sua diversidade, bem como definir e explorar os melhores locais para conseguir as imagens que idealizava. Serviu também para consolidar o conhecimento das melhores vias de comunicação para chegar rapidamente aos pontos singulares ao nível da fauna e flora. Foi também na primeira viagem que percebi que as imagens aéreas seriam um bom conteúdo para o documentário, pois mostravam o degelo dos glaciares ao mesmo tempo que se revelavam pinturas abstratas na paisagem. Ao nível da fotografia foi uma surpresa para mim. Foi também na primeira viagem que conheci algumas pessoas na zona de Westfiords, que vieram a ser uma grande ajuda quando regressei em 2023. Proporcionaram-me acesso a alguns locais, que foram uma mais-valia para o filme, bem como partilharam do seu conhecimento relativamente ao ambiente e aos problemas da Islândia em lidar com as alterações climáticas.

Em 2023 regressei para concluir o documentário, procurando percorrer os mesmos locais onde havia estado em 2019, adicionando mais alguns que se vieram a confirmar uma mais-valia para o trabalho, como por exemplo os vulcões. Desta última vez, acabei por estar mais tempo na zona de Westfiords que é para mim, aquela que ainda está longe do turismo de massas e mais selvagem. É nesta zona que se encontram com alguma facilidade, as focas, as baleias e os papagaios-do-mar, bem como algumas aves mais raras.

Foi em 2023, por meados de maio, que comecei a trabalhar na edição do filme e como tudo passa por mim, estive cerca de 8 meses a trabalhar diariamente no documentário. Dado que a minha atividade profissional se reparte pela informática e pela fotografia e vídeo, quase todos os dias trabalhava cerca de 3-4 horas no filme. No entanto faço isto com alegria, pois se por um lado, a informática é uma atividade que me causa algum stress no dia a dia, o trabalho de fotografia e vídeo são para mim, uma espécie de escape para libertar essa pressão profissional. E ao mesmo tempo, deixo algo para a posteridade. Contribuo da forma que posso para mudar as mentalidades e consciências no que ao ambiente diz respeito, dado que existe muita falta de sensibilidade por parte das entidades que poderiam alterar o rumo das alterações climáticas. Quem me conhece pessoalmente, sabe que coloco em cada trabalho que faço, o máximo de mim. E muitas das vezes nem sei muito bem onde vou buscar essa força.

Talvez seja uma atitude de quem se esforça constantemente, de quem persiste, apesar dos obstáculos ou dos fracassos, em fazer ou alcançar o que sonho, ou o que poderei fazer pelo mundo.

De vez em quando somos surpreendidos a cada passo. E no meu caso, sou surpreendido ao ver reconhecido todo o meu trabalho nesta área.

 

3- O que sentiu quando terminou a última filmagem deste trabalho?

Para dizer a verdade, o sentimento não foi muito agradável, pois sabia que estava na hora de regressar a Portugal e que aquele "meu mundo" ficaria para trás e não seria mais possível voltar a sentir aquele ambiente natural e selvagem que parece que nos transporta para o passado. À semelhança de outras partes do mundo, aqueles lugares marcaram-me para sempre. E a saudade e nostalgia ainda hoje se fazem sentir. Habitualmente costumo dizer que é preciso conhecer o mundo para percebermos o quão insignificantes somos e que existem outras realidades que desconhecemos e que por essa razão fazemos deduções erradas.

4- Algum momento curioso durante as gravações deste documentário?

Um dos momentos mais curiosos que vivi na Islândia e que gosto de contar (e até estou a transcrevê-los em livro), foi o meu contacto mais próximo com uma foca. Tratando-se de um animal selvagem, a aproximação deve ser muita cautelosa e silenciosa e a dada altura eu deveria estar a uns 30-40 metros de um belo exemplar, quando dei comigo a falar com ela e imagine-se, em inglês. Tentava que não fugisse do local onde estava, pois eu precisava de fazer mais alguns planos de vídeo e também algumas fotografias. E por essa razão, eu estive numa espécie de monólogo com aquela foca durante uns bons 5-10 minutos. Uma das fotografias desta página é ilustrativa desse momento, pois a dada altura a foca pareceu perceber a conversa que eu mantinha com ela.

 5- Porquê a escolha do Planetário do Porto para a apresentação deste documentário?

A escolha do Planetário foi sugestão do seu diretor Paulo Pereira e do Miguel Gonçalves (autor de uma rubrica na RTP sobre astronomia). Conhecem o meu trabalho e sabiam que eu procurava um local para a estreia do filme, dado que em Gondomar (na minha própria terra) não tem havido abertura para cederem por exemplo o auditório municipal. E naturalmente convidaram-me a realizar a apresentação ao público, no Planetário do Porto - Centro Ciência Viva. A Universidade do Porto acabou também por se interessar pelo evento e foi uma das entidades que apoiaram, para além da PTLAPSE. Gostaria de referir que continuo a procurar que me cedam um espaço em Gondomar (inclusive pagando taxas), para realizar uma apresentação deste trabalho.

 6- Como é que correu a apresentação no geral? Verificamos que a primeira data ficou imediatamente esgotada na cúpula, e teve a necessidade de abrir uma outra no auditório que também esgotou

A estreia foi um sucesso. O Planetário possui duas salas para eventos de cinema. Uma delas é a cúpula e a outra o auditório. No primeiro cabem cerca de 90 pessoas e no segundo cabem cerca de 60. Os bilhetes para a cúpula rapidamente esgotaram (1 ou 2 dias) e o Planetário achou por bem abrir também o auditório. No total foram mais de 150 pessoas que estiveram presentes para assistir à estreia do documentário Islândia - Natureza Ígnea.

 7- No final da apresentação qual foi o feedback que teve do público? 

O público ficou maravilhado com o filme. A qualidade da imagem e boa narrativa (cuja locução ficou a cargo da voz da BBC - Eduardo Rêgo), aliadas a uma banda sonora da Universal Music, foram os aspetos mais evidenciados por parte de quem esteve presente. Houve até quem me perguntou se eu tinha previsto outra estreia noutro local do país.

 8- Este documentário estará futuramente disponível para o público geral ou tem ideia de outra apresentação noutro local? 

Os direitos parciais deste filme foram adquiridos pela estação de televisão SIC (por 2 anos). E como tal não posso torná-lo público. No entanto, as pessoas poderão vê-lo em breve na televisão. E, contudo, continuo a procurar um local e uma oportunidade de o mostrar na minha terra (Gondomar), pois nunca desistirei de o procurar fazer.

 

 

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