Concelho de Gondomar Cultura

Paulo Ferreira apresenta documentário nos Açores

Paulo Ferreira, fotógrafo e videógrafo gondomarense, continua a dar frutos e mostrar o que melhor faz por Portugal. Desta vez foi aos Açores apresentar o seu mais recente documentário, “Naturalmente Graciosa”. Estivemos à conversa com o gondomarense.

1. Antes demais quer-nos contar em que consiste de uma forma geral, este documentário, Naturalmente Graciosa? 

Quando decidi realizar este novo documentário (de cerca de 47 minutos) da série que pretendo produzir no arquipélago dos Açores (depois do DOC “Naturalmente Flores”), tive como ponto de partida as seguintes premissas:

A ilha Graciosa, situada no arquipélago dos Açores, é um tesouro natural onde a fauna, a flora e o mar se entrelaçam numa paisagem exuberante. Com uma biodiversidade única, esta ilha é um exemplo vivo da importância de preservar os espaços naturais para combater as alterações climáticas.

A fauna da Graciosa é caracterizada pela presença de aves marinhas, como os cagarros ou os garajaus, ou ainda o raro painho-de-monteiro e alma-negra, que se encontram nas suas falésias e em especial no Ilhéu de Baixo e Ilhéu da Praia, um local ideal para nidificar. Além disso, diversas espécies de aves migratórias fazem desta ilha um ponto de paragem durante as suas rotas migratórias, evidenciando a sua importância como refúgio para a vida selvagem.

Quanto à flora, a Graciosa é adornada por pastagens verdejantes e uma variedade de plantas endémicas dos Açores. A camarinha, a vidália ou a não-me-esqueças, são apenas algumas das muitas espécies que contribuem para a beleza natural da ilha.

O mar que rodeia a Graciosa é uma fonte de vida abundante, com águas cristalinas de um azul intenso que abrigam uma diversidade de vida marinha. Desde pequenos peixes coloridos até cetáceos majestosos, passando pelo coral-negro, este ambiente marinho é vital para o equilíbrio do ecossistema local.

A atividade vulcânica na ilha Graciosa foi crucial para a sua formação geológica e singularidade. Os vestígios vulcânicos moldam a paisagem, criando locais únicos como a Caldeira, a Furna do Enxofre, e a Caldeirinha, que são fontes de interesse turístico e científico, enriquecendo a ilha.

Tal como com as outras ilhas do arquipélago dos Açores, visitar esta ilha é conhecer um importante património geológico, composto por locais de interesse científico, pedagógico e turístico.

Preservar espaços naturais como a ilha Graciosa é fundamental na luta contra as alterações climáticas. Esses ecossistemas desempenham um papel crucial na regulação do clima global, absorvendo carbono da atmosfera e fornecendo habitats essenciais para a vida selvagem. Ao protegermos estes tesouros naturais, estamos também a proteger o nosso planeta e as futuras gerações. E isso pode ser feito numa ilha tão pequena, como é o caso da Ilha Graciosa, a segunda ilha mais pequena do arquipélago dos Açores.

2.Após a divulgação do documentário, foi convidado para ir aos Açores apresentá-lo no dia da Terra. Como é que correu e o que é que as pessoas lhe transmitiram?

No dia 22 de abril apresentei este novo documentário natural no Centro Cultural da Ilha Graciosa, assinalando o Dia Mundial da Terra, a convite do Municipio de Santa Cruz da Graciosa. A ideia com que fiquei depois terminada a sua apresentação é de que as pessoas gostaram imenso e demonstraram isso mesmo, não saindo da sala no final da visualização do filme, colocando algumas perguntas muito pertinentes, algo que se prolongou noite dentro. Seria espectável que qualquer habitante da ilha, me dissesse que já conhece a ilha muito melhor do que eu. Mas tal não sucedeu e fiquei pasmado quando me disseram que só agora é que ficaram com a noção de que existem muitos locais de rara beleza na ilha e que nunca os tinham visto, ou se viram, não tinha sido na perspetiva com que eu os abordei no filme. Por outro lado, fiquei com a sensação de que após visualizarem o filme, ficaram com outra sensibilidade para a questão da problemática ambiental e das alterações climáticas. Na sala estiveram pessoas de vários setores de atividade e com responsabilidades diversas no que à gestão dos recursos naturais da ilha, diz respeito, incluindo o mar. E foi com enorme honra que ouvi a Vereadora Dra. Lara Isabel Freitas Sousa, dizer a todos os presentes que o Município apoiou a iniciativa, com o objetivo de ser mais uma plataforma de promoção das belezas da ilha, bem como continuar a sua promoção, como sítio de excelência para a prática do mergulho, algo que evidenciei no documentário ao falar do problema do Coral-negro, algo que só existe no mar ao redor da Ilha Graciosa.

3. Além dessa apresentação, o seu outro documentário açoriano, "Naturalmente Flores” será possível vê-lo nos voos de longo curso, através da TAP. Como é que surgiu essa oportunidade e esse convite?

Os meus documentários longos (“Açores, um novo desígnio”, “No Silêncio dos Moinhos”, “Naturalmente Flores”, “Islândia Natureza Ígnea” e agora este da Graciosa, têm sido adquiridos por diversos canais de televisão, como é o caso da RTP e SIC. Como tal seria espectável que a TAP também manifestasse interesse em os colocar a bordo dos voos de longo curso. Os prémios que tenho recebido em festivais de cinema nacionais, também ajudaram a que estes trabalhos chegassem mais longe. Neste sentido continuo a tentar mostrar estes filmes em Gondomar, mas até agora sem qualquer sucesso. Começo a pensar que não há sensibilidade para mostrar estes trabalhos na minha terra, por parte de quem tem a capacidade de permitir que se usufruam de espaços públicos, como é o caso do Auditório Municipal de Gondomar.

4.  Como é que vê este interesse demonstrado pelo seu trabalho? É por isto que tem lutado?

Vejo isto como um reconhecimento do esforço que tenho feito ao longo dos últimos anos. É uma espécie de prémio que me dá forças para continuar. Quando me iniciei na realização de documentários curtos há bastantes anos, não imaginava que um dia viria a realizar filmes de maior duração. Por um lado, havia questões de fraco orçamento e falta de apoio e por outro não tinha conhecimento para os produzir. Contudo, à medida que fui ganhando notoriedade, tudo começou a ficar mais fácil. Naturalmente abriram-se portas, principalmente lá fora (costumo dizer que santos da casa não fazem milagres), como por exemplo, Noruega, Chile, Argentina, Nova Zelândia, Islândia, etc. Os apoios chegaram e os patrocínios também. Hoje conto com equipas maiores que me dão suporte nos locais onde realizo os documentários. Por exemplo, as Secretarias Regionais do Ambiente e Alterações Climáticas, ou os Parques Naturais, ou mesmo os Governos Regionais como é o caso dos Açores. Por tudo isto, diria que é por isto que tenho lutado. Desta forma consigo chegar mais longe, quer fisicamente aos países ou regiões, quer a um publico mais abrangente e maior. A minha mensagem de que é preciso olhar com mais cuidado para a nossa única casa, o planeta Terra, tem de ser dispersa. Este é o meu desígnio, pese embora o facto de muitas das vezes ter de lutar contra quem não tem sensibilidade para o problema, ou porque pura e simplesmente acha que isso não lhe diz respeito. O problema das alterações climáticas existe e a todos diz respeito. Quando me convidam para ir ás escolas dar uma palestra, é quando me sinto mais realizado, pois acredito na capacidade dos jovens que enfrentarão o futuro, tentando incutir neles essa vontade e determinação para a mudança.

5. Tem mais algum projeto em mente nos Açores? 

Em junho começo a recolher imagens para um novo documentário na Ilha de São Jorge, no grupo central do arquipélago dos Açores. Já estou a trabalhar no projeto e conto com a colaboração de várias entidades da ilha. Ao que parece estão ansiosos que eu comece a recolher essas imagens. Será um trabalho mais complexo dada a dimensão da ilha (tem cerca de 55 km de comprimento) e muitas Fajãs (inacessíveis por automóveis) que me obrigarão a caminhar por trilhos de dificuldade elevada, carregando todo o equipamento que disponho.

6.Há algum agradecimento que gostaria de fazer? 

Gostaria de agradecer a todas as entidades que acreditaram em mim, me apoiaram e continuam a apoiar. Só desta forma consigo realizar estes trabalhos. Um dia, quando era miúdo e via as séries de televisão sobre a vida selvagem ao redor do mundo, tive um sonho de ser como David Attenborough. Nunca foi possível realizar algo tão grandioso como ele, pois não tenho uma BBC ou National Geographic a suportar essas produções. Mas mesmo assim não baixei os braços e tenho lutado para conseguir fazer as coisas à minha maneira. E para isso conto com toda a gente que acredita em mim e na minha capacidade de trabalho. A todos eles o meu obrigado.

 

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