Baguim do Monte Sociedade

Manuel Ribeiro: 102 anos de “estórias” pelas ruas de Baguim do Monte

Manuel Ribeiro é o cidadão mais velho de Baguim do Monte e irá completar 103 anos dia 31 de Janeiro de 2026. Uma data importante para a família e para os baguinenses que irão homenageá-lo no Dia de São Brás, 3 de Fevereiro, na missa.

É alfaiate de profissão desde os 14 anos e ainda hoje costura. “O meu pai vive com a minha irmã. Quando acorda faz o seu pequeno-almoço, faz a cama, toma a medicação, sozinho. Se for preciso ainda passa a ferro. Se houver alguma coisa para costurar, ainda se senta na máquina e fá-lo. Até há pouco tempo fez uns aventais para ajudar a angariar fundos para a as obras da Casa Paroquial de Baguim do Monte”, conta a filha Maria de Fátima Ribeiro.  

“Comecei aos 14 anos como alfaiate”, conta-nos o próprio, ainda com a sua lucidez, “Eu não queria ser, mas na altura não tinha muita hipótese (risos). Trabalhei na Casa Piloto uns anos largos. Um dos patrões abriu uma nova casa, que era a Casa Monte Carlo e fui escolhido para ir para lá, onde era tudo feito à medida, fiz fatos para as pessoas mais importantes”. 

Manuel Ribeiro foi sacristão em três paróquias, onde se dedicou a elas com tudo o que podia dar a Deus. “Sou muito religioso e fiz o segundo grau da escola aprovado com distinção. Já fui sacristão, em Baguim do Monte, na Lapa e na Foz, terminei essa minha tarefa na última igreja mencionada, onde estive dez anos. Antigamente tinha de saber tudo em latim, e decorei tudo o que era para dizer na missa, no dia 18 de Junho de 1933 na minha profissão de fé fiz todo o meu discurso em latim, com 10 anos”. 

Quando se fala em amor, nunca foi namoradeiro, mas o amor que encontrou foi para a vida. Aos 35 anos casou-se a 10 de Maio de 1958. “Ela era uma criada de servir, empregada doméstica, e eu comecei a namorar com ela porque a minha mãe dizia para eu arranjar alguém que ela não durava sempre. Foi nos cortejos que a conheci, oito anos e meio mais nova que eu, e tivemos 4 filhos, dois rapazes e duas raparigas. Ela foi ama também, ajudou muitas crianças daqui de Baguim do Monte, toda a gente sabia quem ela era. Era uma pessoa com um coração bom. Enquanto ela ia trabalhar ficava com os nossos filhos, éramos uma equipa”, confessa. Tinha osteoporose. Com o tempo começou a ficar debilitada. Acabou por falecer. 

“Conseguiu-se adaptar a ausência dela, tiveram 64 anos a viverem juntos, mas no tempo em que ela foi para a residencial ele acabou por fazer o luto mais cedo”, conta a filha. 

Quando lhe perguntamos qual o segredo para a sua longa vida afirma risonhamente que não sabe.  “Sempre fiz muita ginástica, andava sempre a pé até aos comboios. Comecei a aprender a andar de bicicleta, mas como caí nunca mais aprendi (risos) por isso andava sempre a pé para a frente e para trás. Acho que isso me ajudou a durar tanto ou talvez o facto de ser tão devoto a Deus”.

Para o presidente da Junta de Freguesia de Baguim do Monte, Francisco Laranjeira, é um momento para a Freguesia ter alguém com esta díade e com tanto significado para Baguim. “São 103 anos de história, muitos deles passados na nossa Freguesia, e ainda aqui residente, fazer esta homenagem no Dia de São Brás é sem dúvida a melhor coisa que lhe podemos dar, tendo em conta o facto de ser devoto, e por também ser um dia importante para Baguim do Monte. Já fomos à celebração do centenário e achamos que é altura de o homenagear. Iremos dar-lhe uma salva de prata para deixar marcado este momento. Fico mesmo feliz por termos alguém com esta idade na nossa Freguesia e tão lúcido”.

 

 

 

 

 

 

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