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Luís Pinto: “O acreditar em que é possível conquistar algo já é uma vitória, mas não podemos nos contentar com isso, porque o materializar das coisas é o que realmente é importante”

Luís Pinto, gondomarense, treinador do Vitória Sport Clube, venceu recentemente a taça da liga, à frente do clube vimaranense, contra o Braga. Fomos conhecer o percurso do treinador.

Fale-nos um pouco sobre si. 

Procuro ter uma ligação muito grande com os meus amigos, principalmente aqueles que consigo ter há muitos anos, não que esteja com eles o tempo que gostava, mas manter uma amizade assídua. Ao mesmo tempo gosto de conhecer pessoas novas, não quer dizer que são amigos, mas gosto de ter uma boa relação com pessoas que posso considerar amigos e ter uma relação que possa considerar autêntica. Ao nível da minha família procuro sempre que possível, a mais direta é a que tenho maior preocupação, dar-lhes toda a atenção. Quero ter uma vida equilibrada e mostrar-lhes que estou presente, às vezes no futebol não é tão simples quanto isso, mas é uma coisa que tem sido melhorada ao longo dos tempos. Tenho um grande sentimento de proteção pela minha mãe e pela minha irmã. A nível profissional procuro colocar a educação que me foi dada pelos meus pais e ao mesmo tempo ir evoluindo no que essa educação me trouxe de bom, que foram muitas coisas. Colocar ambição, não perdendo a humildade, coragem, a capacidade de tirar a parte positiva da educação passando para a parte profissional colocando essa perspetiva mais ambiciosa, corajosa, acaba por ser algo que me caracteriza e que fui desenvolvendo ao longo dos tempos.

Como começou a sua paixão pelo futebol? 

A jogar essencialmente. A vertente desportiva é uma componente importante na minha vida. Sempre gostei de fazer desportos coletivos, mas com o tempo mais ocupado e outros afazeres não conseguimos ter tempo para ter esta prática. Não gosto de desportos individuais, como o ginásio, nem correr na rua, só o faço por “obrigação”, agora se for para fazer algo coletivo dá-me mais prazer, mas o fator tempo não me permite. 

Como percebeu que queria seguir a carreira de treinador?

A carreira de treinador começa quando estou na Universidade e tenho de fazer estágios para concluir, começa na formação do Boavista, depois no Gondomar, nas escolinhas, enquanto treinador, ainda estive, no Dragon Force e Salgueiros. Quando estou no Salgueiros tenho a oportunidade de ir para o Trofense e começo no futebol sénior. Fico com o mister Porfírio Amorim, fico mais uma época com o Mister Vítor Oliveira (do académico de Viseu sub-19), em Leiria fico dois anos, na terceira época fico como treinador principal. Depois saio vou para Mirandela, Felgueiras, vem o covid e fico em casa sem clube, sigo para o Real Massamá, Leça, Lourosa, Fafe, Tondela e agora Vitória.

Quando é que percebeu que queria deixar a carreira de futebol para treinador de forma definitiva?

Foi quando recebi o convite para o Trofense, estava a terminar o mestrado, mas o estágio tinha-me aberto outros horizontes sobre o que era o futebol. Gostava muito de jogar, mas comecei a olhar para o jogo e para o treino de outra forma, quando isso aconteceu, comecei a olhar para o treino e achar que podia fazer diferente, queria experimentar. Isso começou a seduzir-me mais que o jogar. Experimentei e durante muitos anos nunca me arrependi dessa decisão. O único momento em que comecei a sentir saudades foi quando vi amigos a deixar de jogar, há cerca de dois anos, pensei que se tivesse insistido mais teria tido muito prazer. Ainda acho que a melhor profissão dentro do futebol é a de jogador. 

Arrepende-se de não ter continuado?

Tudo tem um sentido e uma razão de ser. Aconteceu da forma que aconteceu, não fui obrigado por nada. Aconteceu porque tinha de acontecer, as coisas têm todas um sentido. Tudo o que passei ajudou-me a ser melhor treinador, do que se não tivesse passado pelas experiências que passei. Acredito que os jogadores quando deixem de jogar vão sentir falta do dia-a-dia, que é diferente do resto das pessoas, e eu sinto alguma nostalgia. 

 

Como gere a vida profissional com a familiar?

A minha esposa nunca me acompanhou para nenhum local onde estive a treinar. Exige muito dos dois lados, enquanto não tínhamos filhos era mais fácil, temos de ter uma pessoa que apoie, não é que compreenda é que apoie. A minha esposa sempre o fez, é uma aliada. Seja qual for o próximo passo, que seja para fora da residência, tenho a certeza que me dará coragem para ir e que depois conseguimos resolver. Sempre foi assim. O Tondela foi o mais pragmático disto porque eu já tinha um filho pequeno e estava à espera de outro, e ponderei se adiava este salto para a Liga 2 devido a essa questão. Se fosse mais confortável para ela que ficasse em casa eu iria ficar. Seguiu-se o que tinha de ser seguido. Sempre olhamos para os desafios para serem superados. É um sucesso conjunto. 

36 anos e já com dois marcos históricos: ser campeão da segunda liga pelo Tondela, que levou à subida de divisão do clube, e ter ganho a taça da liga contra o Braga, pelo Vitória SC. Como viveu estes momentos?

São muito importantes, não atribuo mais importância a um do que a outro, porque os títulos são a coisa mais marcante que pode existir naquele momento, no contexto, e na época. Senti-o de forma diferente. O título da segunda liga do Tondela foi uma coisa que foi pensada durante muito tempo, tivemos 23 jornadas em lugar de subida. O Vitória foi preciso alguém na época anterior ter conseguido os lugares de acesso à taça da Liga, nem todas as equipas vão, não tenho mérito nenhum nisso. Foi preciso conseguir uma passagem, que até agora é a única derrota que o FC Porto tem. E foram quatro dias que é o tentarmos construir uma forma de estar que começou a dar frutos, que vem do início da época. Todo o acreditar que existe no clube, que era preciso conquistar coisas importantes, que a época ainda vai a meio, ainda temos 16 jogos pela frente. Queremos olhar para o futuro de forma ambiciosa e que temos mais coisas para construir. Foi uma sensação de alegria imensa, enquanto no Tondela a primeira sensação que tive foi de alívio, porque parecia que nunca mais chegávamos à meta, só depois veio a alegria. 

O acreditar em que é possível conquistar algo já é uma vitória, mas não podemos nos contentar com isso, porque o materializar das coisas é o que realmente é importante. A explosão de alegria de toda a gente, ficamos alegres por nós e pelos outros, pessoas que nem conhecemos. 

Como foi a chegada a Guimarães?
Toda a gente nos agradeceu por termos conseguido fazê-lo. É um povo que vive muito. A coisa mais importante que a cidade tem é o clube. 

Além dos três grandes o Vitória é o clube que arrasta mais adeptos para os estádios, tem isso como um acrescento de responsabilidade?

Não, quando há alguma coisa que se relacione com o Vitória que seja importante os adeptos estão envolvidos, é impossível separar. Acho que qualquer treinador que vá para o Vitória que não coloque os adeptos na equação não está a fazê-lo de forma correta, porque é preciso fazê-lo, para tudo. O patamar de exigência dos adeptos é altíssimo, acho que a pressão que nos colocam é natural, e tem de estar em cima da mesa quando pensamos no que é o cargo de treinador ou jogador de vitória. Olho para eles como uma motivação e não como uma pressão. 

Uma boa classificação no final da época é?

Não acho que as coisas devam ser vistas assim. Os campeonatos são provas longas, que têm diferentes formas de forma, passo a redundância, que têm crescimento da própria equipa, do campeonato, que tem oscilações, tem tudo e mais alguma coisa. Aquilo que sei e que me foco é o jogo do próximo fim de semana e temos de o vencer, seja contra que adversário for. 

Trabalhar no Vitória, a pressão dos adeptos, e tudo o que o Vitória é, não podemos fugir às nossas responsabilidades, temos de lutar para conseguir conquistar. Um clube como o Vitória tem de aumentar as conquistas aquilo que é o palmarés e o sustentar na Europa, tem sido conseguido nas últimas épocas. Essa marca europeia está a ser construída e tem de ser cimentada, não está nos estatutos, mas está. 

Vê-se a treinar um dos grandes clubes do futebol português?
Vejo o Vitória como um dos grandes clubes do futebol português. Uma coisa que não tem tanto e que conseguimos contribuir, são os títulos. Temos mais de 36 mil associados e queremos contribuir e construir uma mensagem do clube além do concelho de Guimarães. Já é incrível o concelho viver tanto o clube e queremos levá-lo mais além. O meu único foco é que o Vitória ganhe. Todos temos sonhos e ambições, mas eu costumo dizer é que o meu sonho é ganhar o próximo jogo. Já vi tanta coisa no futebol que o que me importa é o presente e o futuro imediato.

Há algum agradecimento que gostaria de fazer? 
Na realidade agradeço a quem me quer bem, aos meus amigos, familiares, na realidade a toda a gente que me quer bem. Acho que é difícil as pessoas quererem bem a sério aos outros e quem quer a esses agradeço (risos). 

 

 

Factos Curiosos:
- Comida Preferida? Uma boa Posta 
- Doces ou salgados? Salgados 
- Música da sua vida? Desportivamente Mariza Melhor de Mim
- Livro que tem na mesinha de cabeceira? O Método Slow 
- Último filme que viu no cinema? Não me lembro de ir ao cinema
- Praia ou Montanha? Praia
- Melhor destino que esteve até agora? Maldivas
- Viagem dos sonhos? Neste momento Polinésia Francesa 

- Uma palavra que o caracterize?  Educado 
- Um treinador que admire? Guardiola 
- Melhor jogador que treinaste até hoje? Tiago Pereira, Hélder Sousa, Mário Sérgio, não foi na melhor altura da carreira deles

 

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