Adriana Marinho, gondomarense, venceu a Taça Internacional de Kempo, um evento da World League em representação do Centro de Alto Rendimento Federado do Norte.
Fale-me do seu percurso.
Desde muito cedo que sou apaixonada pelo desporto. Já pratiquei várias modalidades, como dança e natação. Uma vez o meu treinador foi dar uma aula de kempo à minha escola. Gostei da modalidade. Comecei a treinar diariamente e comecei no ramo das competições.
O treinador percebeu logo na primeira vez a sua aptidão para a modalidade?
Fui eu que comecei. Porque me cativou. Queria perceber como é que funcionavam as artes marciais, nunca tinha praticado nada similar. Como sempre gostei do regime de competição. Como no kempo é um regime de competição individual, quis experimentar.
O que é o kempo em específico?
O kempo é uma arte marcial, que se tivesse de comparar com alguma modalidade para ser mais percetível, era ao kickboxing porque usamos tanto as mãos como as pernas, temos vários estilos de combate. Temos um amplo leque de provas que podemos fazer, como chutos e pontapés no chão e que damos chutos e pontapés e fazemos projeção para o chão.
Quantas vezes treina por semana?
Todos os dias.
Como chegou a esta competição?
Fui captada pelo percurso que tenho feito ao longo dos anos. Viram o meu desempenho e fui escolhida. Entretanto fui fazer treinos a uma academia da Seleção e fizeram-me a proposta de competir pela Seleção.
Como foi a experiência na Hungria?
Foi a minha primeira experiência internacional, estava muito nervosa, nunca tinha ido combater fora. Era fora da minha zona de conforto, nunca tinha tido aquelas adversárias e ainda fiz uma prova que não estava habitada e correu muito bem.
Que prova é que não estava habituada?
Fiz Knockdown, onde temos luvas de MMA e não podemos bater na cara, mas em baixo sim. É um estilo aproximado ao MMA com umas regras diferentes, onde podemos projetar, fazer chão, bater no chão, mais alargado.
Que provas, além do Knockdown, competiu?
Fiz Vidal B, uma prova onde se bate em cima, usando as mãos e os pés, e podemos projetar, onde temos de aguentar a posição, lá fora são 30 segundos, cá em Portugal são 10. Fiz Vidal C, são socos e pontapés sem potência, e ainda fiz Point sparring, é um combate ao ponto, tem de ser uma técnica bem executada, por a técnica e tirar, somando pontos. Fiquei em 1° lugar em knockdown, em Vidal C e em Point Sparring. Fiquei em 2º em Vidal B.
Como concilia os treinos com a Universidade?
Às vezes é um pouco cansativo porque ando na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e às vezes tenho aulas práticas de manhã e à tarde e ainda tenho treino à noite. Nesses dias sinto que o rendimento não é o mesmo, mas tem dado para conciliar porque eles na faculdade são compreensivos. Dou treinos aos mais novos e há aulas que conciliam com os treinos que dou e deram-me a opção de ter a aula mais cedo para conseguir fazer tudo.
Quais são os objetivos futuros?
2025 foi um ano de realização tanto enquanto atleta como treinadora, porque já tenho um aluno que foi campeão nacional, o que mostra também o meu trabalho. A nível de atleta fiz a minha primeira prova internacional ainda fiz a minha primeira gala no kickboxing. Acho que foi um ano de realização. Consegui lugar na seleção nacional de kempo algo que ambicionava muito e que é um patamar muito alto na carreira de qualquer atleta.
A quem gostaria de agradecer?
Obrigada aos meus pais que são a base de todo o meu percurso, que me incentivam a arriscar e me dão todas as ferramentas necessárias para poder correr atrás do meu sonho, que me acompanham para todo o lado e que vibram tanto como eu em todos os combates! Um agradecimento especial ao Professor Bruno Rebelo, a todos os treinadores da seleção e elementos da federação pela oportunidade de me estrear nas competições internacionais e pela confiança que depositaram em mim! Um obrigada aos treinadores da seleção que me acompanharam nesta aventura que tiveram um papel muito importante no meu desempenho durante a prova, um obrigada em especial ao mestre Ivo por todos os treinos e ajuda essencial na preparação para esta prova.
Obrigada a todos os meus colegas que viveram esta experiência comigo, por todo o carinho e companheirismo! Um obrigada aos meus colegas de treino e ao meu treinador pela ajuda diária que me permite estar em constante evolução e por toda a motivação! E por fim obrigada aos meus patrocinadores por tornarem tudo isto possível e á minha mental coach que prepara a minha mente de forma exímia para todos os desafios! E aos meus amigos e todos aqueles que torcem sempre por mim!