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Entrevista a André Villas-Boas

Ocupou a “cadeira de sonho” na época 2010/11 sagrando-se campeão nacional, conquistando a Liga Europa, a Taça de Portugal e a Supertaça. Em 2020 foi o primeiro subscritor na candidatura de Pinto da Costa a quem já apelidou de Presidente dos presidentes. Em 2024 assume a candidatura à presidência do Futebol Clube do Porto.

VivaCidade (VC): Candidata-se contra o homem que apelidou de “Presidente dos Presidentes” e que apoiou há 4 anos. Porquê esta candidatura?

André Villas-Boas (AVB):Este é um tempo de mudança para o Futebol Clube do Porto, temos que mudar o clube para a modernidade num crescimento sustentado em vitórias, mas também com sustentabilidade financeira.

Nos últimos 12 anos assistimos um degradar da situação financeira e desportiva do clube, tudo fruto de uma gestão que não obedece aos critérios que são exigidos a uma empresa moderna e a um clube como o Futebol Clube do Porto.

VC: Tem referido muitas vezes a situação financeira do clube. Neste campo, o que propõe para mudar o rumo das contas do clube?

AVB: Sobretudo é preciso haver rigor, disciplina e controlo orçamental. É muito fácil conquistar vitórias, mas ao mesmo tempo aumentar o declínio absoluto do clube colocando a sua estabilidade financeira em risco. É tudo isto que temos que travar.

VC: O que é o rigor orçamental a que se refere?

AVB: Cortar com gastos absurdos do ponto de vista de remuneração, desde logo da administração, e do fornecimento de serviços externos onde o clube perde muito dinheiro. 

Há também a questão de um maior controlo da bilhética onde, comparativamente com um dos nossos rivais em particular, enchemos mais vezes o estádio, mas obtemos menos receita.

São áreas de intervenção imediata onde há potencial de crescimento, que está também ligada com uma nova forma de comunicar com os associados. Um tipo de comunicação mais externa que sabe onde estão os associados do FCP, respeitando-os e tratando-os de outra forma.

Tudo isto são fontes de receita e de crescimento. Contudo, não podemos esquecer que o coração da reestruturação financeira do clube está vinculado à parte desportiva e é nesse setor que temos de intervir imediatamente porque a mesma não obedece a planeamento, rigor ou uma preparação antecipada do plantel. É aí que eu serei intransigente na construção de uma política desportiva de clube que sustente toda a pirâmide do FCP.

Se o atual presidente continuasse no cargo, e tendo em conta as pessoas de quem se está a rodear, poderíamos continuar facilmente para a ruína financeira. Já não vamos lá com retoques na equipa e desculpabilizando-se com a saída de outros administradores que colocaram o clube na situação em que está.

Todos os líderes devem assumir responsabilidades, tanto nas vitórias como nas derrotas, foi sempre assim que orientei a minha vida.

VC: Já afirmou várias vezes que será um presidente não remunerado, mantém essa afirmação?

AVB: Sim.

VC: Os restantes elementos da direção passarão a auferir cerca de metade dos atuais?

AVB: Sim. O corte será até superior a 50%. 

Quem está comigo vem em espírito de missão, o José Pedro Pereira da Costa, por exemplo, também terá um corte relativamente ao que recebia anteriormente. É um portista dos sete costados que vem em espírito de missão para ajudar o Futebol Clube do Porto.

Na remuneração variável apenas é aplicável quando há vitórias e também sucesso financeiro.

VC: O exemplo deve vir de cima?

AVB: É obrigatório. Também vamos aproveitar para que essa filosofia de organização se estenda aos funcionários, ou seja, a remuneração variável pelos mesmos sucessos deve contemplar todos.

VC: Tem sido acusado de encabeçar uma candidatura com interesses escondidos contra o Futebol Clube do Porto, que resposta pretende dar a essas acusações?

AVB: Nada. São apenas mentiras ditas por outra candidatura.

VC: Este processo eleitoral tem sido marcado pela polémica Assembleia Geral no Dragão Caixa, as ameaças que recebeu e o processo Pretoriano. De que forma este clima tem afetado a sua campanha?

AVB: Todos nós vivemos de uma forma triste os episódios registados a 13 de novembro. São episódios que marcam um dos dias mais negros da história do nosso clube, e marcam toda a sequência de infelizes comentários que o presidente da direção fez nos dias seguintes a essa AG, desvalorizando os sócios agredidos e enaltecendo os infratores.

É um dia triste, negro. Poderá também ser um dia que regista o início desta onda de mudança e o “grito de Ipiranga” dos adeptos do Futebol Clube do Porto, trazendo de volta o bom nome do clube.

As coisas que estamos a viver são novas, o F. C. Porto nunca esteve a debate. O peso histórico da candidatura de Jorge Nuno frente a uma candidatura de modernidade e mudança como a minha, trouxe o debate à volta do clube. Algo que não acontecia há 41 anos.

Acho que, aconteça o que acontecer a 27 de abril, os sócios do Futebol Clube do Porto serão valorizados, assim como o clube.

VC: Quando o atual Presidente o acusa de saber o que está por trás de todo este tumulto, que comentário lhe merece esta acusação.

AVB: Não sei do que é que o Presidente fala, são coisas da cabeça dele, essa pergunta deve ser feita a ele.

VC: Falando de futebol, já sabemos que não vai adiantar o nome de um treinador, mas já tem um perfil na sua cabeça?

AVB: Não, não tenho nenhum perfil. Desse tema não falo.

VC: Se ganhar as eleições quer sentar-se primeiro com Sérgio Conceição?

AVB: Sim, esse é o objetivo. O Sérgio tem sido um homem de palavra relativamente ao ato eleitoral mantendo-se distante do mesmo, tal como prometeu fazer.

Sendo um homem de palavra, e o atual treinador do Futebol Clube do Porto, é com ele que me sentarei quando esta direção tomar posse.

VC: E para o cargo de Diretor Desportivo, a escolha recai em Zubizarreta?

AVB: Tive uma forte empatia pessoal e profissional com o Zubizarreta. Tenho planos muito bem definidos relativamente à direção desportiva que deve ser estruturada que olhe também para a formação e para o scouting.

É um anúncio para breve, será feito precisamente no dia 17 de abril que é quando será divulgada esta entrevista, e será do agrado dos associados.

VC: Tem referido em várias intervenções uma maior aposta nas modalidades. Podemos saber algumas ideias mais em concreto? 

AVB: Organizamo-nos com grupos de adeptos para perceber quais seriam as modalidades que mais gostariam de ver implementadas no clube.

Já temos uma análise e construímos um ranking com as respostas e a aposta passará pela equipa de futebol feminina sénior, bem como o nascimento do futsal no clube.

Estas são as duas modalidades nas quais nos iremos focar enquanto candidatura e em 2025/26 olhar para a possibilidade do Futebol Clube do Porto voltar ao atletismo e ao voleibol masculino.

VC: Se ganhar irá certamente trabalhar muito no clube, se perder, o que vai fazer?

AVB: A onda de mudança é de tal forma forte e evidente que certamente irei assumir as funções de Presidente do Futebol Clube do Porto.

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