Editorial

EDITORIAL

Estimados Leitores,

Chove em Lisboa. Chove em Portugal. É dezembro. Estamos no final do Outono. A partir do dia 21 de Dezembro, 21:49h estaremos em profundo Inverno.  E chove em Lisboa, quem imaginaria.

Que surpresa. Que admiração. Que nunca choveu tanto em tão pouco tempo.  Que os comboios e os autocarros têm muitos sítios onde não circulam e os túneis estão intransitáveis. Que a impermeabilização dos solos e a construção são os culpados por haver muita água que não consegue circular até aos rios e ao mar.

Ah e há um plano global de drenagens que existe há 18 anos; é de 2004 e que nunca teve financiamento de qualquer tipo para ser implementado. 

Em 1967 as cheias na região de Lisboa, na madrugada de 25 para 26 de Novembro causaram cerca de 700 mortes e destruíram 20,000 casas. Foi o evento natural com piores consequências desde o terramoto de 1755. 

Se não fosse a democracia e o estado social dificilmente teríamos capacidade para ter consequências menores num fenómeno em tudo semelhante ao de 1967. A diferença é a capacidade de reação, a qualidade das construções, a existência de quase zero de habitação precária e os sistemas municipais e de proteção civil que são muito mais eficientes na reação do que há 55 anos. E por isso as consequências bem menores.

Mas por estarmos agora melhor em 2022 do que em 1967 no que respeita à capacidade de reação, não significa que estamos muito bem ou que não poderíamos e deveríamos estar ainda muito melhor. 

Porque está na hora de acabarmos as coisas que iniciamos. Planeamos drenagens, como planeamos aeroportos, como planeamos comboios de alta velocidade, como planeamos incentivar as iniciativas de apoio social como planeamos e bem distribuir eficientemente fundos do PRR, do PT2020 e do PT2030. Mas pouco e mal o fazemos. Demoramos 18 anos a tirar o plano das drenagens de Lisboa da sua gaveta e se calhar vamos guardá-lo noutra gaveta; pois não está previsto nenhum sistema de drenagens que possa ser (sem alterações) financiado pela UE. 

Passar do plano para a execução parece ser cada vez mais difícil e cada vez aportar mais riscos para os que o fazem.

Mas se queremos que Portugal deixe de perder posições nas comparações com outros países e retome o caminho do desenvolvimento e da melhoria das condições de vida das pessoas é essencial haver execução dos projetos e que os planos sejam terminados.

José Ângelo Pinto

Prof. Adjunto ESTG.IPP.PT

Grupo Vivacidade, Administrador

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