Editorial

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Estimados Leitores,

Os especialistas de marketing e comunicação sabem bem o que é a gestão de expectativas. Consiste em colocar a expectativa das pessoas num nível tão baixo – ou alto; dependendo dos objetivos; que as pessoas vão achar que quando a solução final é obtida afinal não é tão má - ou tão boa - como se esperava e que o resultado obtido foi, afinal, uma grande vitória da democracia; mesmo quando as medidas são de inspiração fascista.

Temos muitos excelentes gestores de expectativas em cargos políticos em Portugal, sendo que o seu esplendor máximo é, sem dúvida, o primeiro-ministro. Também temos alguns mauzinhos; mesmo em funções de elevada sensibilidade, como ficou patente em todo o folhetim da TAP. Estou a dizer mauzinhos a gerir expectativas, não que sejam mauzinhos gestores da coisa pública que isso são contas de outro rosário.

Vem isto especialmente a propósito da proposta de Lei do governo que pretende acabar com os fumadores em 2040.

Os não fumadores (eu fui muitos anos e deixei de ser também há muitos) estão já razoavelmente protegidos pelas Leis atuais e os hábitos modificaram-se para bem melhor com as restrições ao fumo nos espaços fechados.

As novas alterações que se perfilam já não são para proteger o não fumador, mas sim para erradicar os fumadores. Ou seja, deixa de ser para proteger os outros e passa, teoricamente, para a proteção do próprio. 

O governo, em vez de ser inteligente e aumentar o custo (através dos impostos) que os fumadores têm com o seu fumo e melhorar o impacto fiscal vai tornar mais difícil a obtenção de cigarros (pela proibição de venda em cafés e restaurantes, tornando milhares de aldeias incapazes de ter pontos de venda para cigarros) e obrigando os fumadores a fazer stocks em casa.

Claro que isto foi o anunciado. A Lei, proposta pelo governo, ainda vai ser objeto de discussão no parlamento e pode ser que as fortes restrições deixem o seu lugar a restriçõezinhas, como manda a boa gestão de expectativas.

Ou então, em sentido contrário, a próxima Lei que, brevemente, irá liberalizar o consumo de drogas leves poderá também vir a (re)liberalizar os pontos de venda dos cigarros, pois pelo andar da carruagem arriscamo-nos a que seja mais fácil, numa qualquer aldeia, vila ou cidade de Portugal comprar marijuana do que nicotina. 

E, claro, sempre os mais desprotegidos com menor capacidade financeira e de fazer stocks de cigarros vão ser os mais prejudicados.

José Ângelo Pinto

Prof. Adjunto ESTG.IPP.PT

Grupo Vivacidade, Administrador

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