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David Freitas entrega ambulância em Catió 

David Freitas, professor do Agrupamento de Escolas de Gondomar, Coordenador da Estratégia para a Educação e Cidadania da escola, e professor convidado do Instituto Superior de Engenharia do Porto, tirou uma licença sem vencimento para ajudar os que mais necessitavam.

Inspirado no Rali Mongol, em que as pessoas iam desde Londres até à Mongolia e entregavam viaturas por puro prazer, decidiu iniciar um projeto semelhante, mas com uma componente pedagógica e daí surgiu a ideia de oferecer uma ambulância aos que mais precisavam.

“A Guiné Bissau tem uma particularidade muito má, que é um dos sítios onde existe maior taxa de mortalidade infantil e materna. No caso da morte materna a criança que sobrevive no parto tem um grande problema que não existe um estado social que forneça o leite de forma a garantir a sobrevivência da criança. Uma lata de leite cá custa 15€ e lá também, mas o salário mínimo lá é de 80€. Ou seja, o pai que fica com a criança não tem ajuda económica para dar leite para o filho. E nestas situações o que se dá às crianças é água de cozer arroz. A probabilidade da criança sobreviver é muito baixa”, explica David Freitas e acrescenta que “quando vi isso, percebi logo que o meu destino que ia ser a “Casa da Mamé”, um orfanato em Catió, da ONGD - Organização Não Governamental para o Desenvolvimento - na Rota dos Povos.” 

Este projeto numa primeira fase foi realizado a título individual, como “forma de pagar ao universo o que ele me deu”. Neste momento David Freitas é membro da Rota dos Povos.  “Fiquei completamente impressionado pelo trabalho que estão a fazer a Catió e quando me convidaram para fazer parte da direção eu não tinha como recusar. Depois de ver certas coisas não podemos esquecê-las. A morte das crianças é de facto muito elevada”.

“Quando pensei na viagem o propósito era levar leite de substituição materno. Mas também teve outro objetivo que foi mostrar a desigualdade que existe. Nós em Portugal se formos de um lado para o outro, é basicamente tudo igual, mas se começarmos a remar para sul, para África a realidade começa a mudar, principalmente em Catió, onde o acesso à saúde e à educação, são coisas praticamente inexistentes ou muito reduzidas. Então o objetivo foi envolver os alunos. Tenho ido a algumas escolas ter conversas com eles, e em regra geral os jovens depois de ouvir o projeto, de forma autónoma, eles organizam-se, por exemplo recolheram latas de leite para levarmos. Nós tínhamos um objetivo de 100 e como eles foram muito sensíveis à causa conseguimos angariar 500 latas”, realça o professor.

Cerca de 5 milhões de crianças morrem e o propósito é ajudar a que este número diminua e cada vez mais aumentar o número de voluntários para apoiar esta causa. “A causa da morte destas crianças são a pneumonia, malária e diarreia”, refere David Freitas. O objetivo é sensibilizar as pessoas  e os jovens para esta causa e com o esforço de todos poder diminuir o número de morte infantil em Catió. “Num futuro gostaríamos que os jovens participassem de forma voluntária no local, mas sabemos que as condições são duras e pode ser difícil para eles”. 

A Rota dos Povos, neste momento, está a investir na educação das crianças que habitam no orfanato da “Casa da Mamé”. “Criamos uma escola, na verdade chama-se Centro de Educação Especial e Terapêutica e vai ser a primeira vez que as crianças vão ter acesso à educação, a refeições regulares, e a sair de casa com alguma regularidade. Apenas nos faltava a carrinha para ir buscar as crianças de cada para a escola, e como eu já tinha feito o percurso surgiu a hipótese de voltar a fazer”.

Inicialmente o projeto de David Freitas era entregar o jipe com leite de substituição. Neste momento a ação já vai para além da entrega mas sim de participar na vida desses jovens, como investir na educação, mas também noutras áreas como a saúde. “ No hospital tem uma máquina de primeiros socorros e uma incubadora que fomos nós que facultamos, tal como a carrinha que levei serve de ambulância. Nós intervimos em toda a sociedade”, confessa o professor. 

A mensagem principal que o professor pretende deixar aos nossos leitores é que “temos de valorizar o que temos de continuar a ser ativos na necessidade dos outros. É importante agirmos, nós para já temos tudo, mas e se não tivéssemos?”.


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