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Arqueóloga riotintense integrou projeto de exploração Maia

“Quando cheguei ao México e comecei a escavar, todos ficaram muito admirados”

[caption id="attachment_270" align="alignleft" width="300"]Lagartero, México / Direitos Reservados Lagartero, México / Direitos Reservados[/caption]

Com a tese de mestrado centrada na ‘Cosmovisão dos Maias’, Maria João Marques foi convidada para uma expedição até Lagartero, no México, onde integrou um grupo para explorar um local de ocupação Maia com quase 1000 anos. Em entrevista ao Vivacidade, a riotintense teceu críticas ao prestígio social atribuído aos arqueólogos em Portugal.

“Fui convidada por um amigo meu. Ele era estudante do Instituto Profissional de Antropologia e História, no México, e convidou-me de uma forma informal para participar no projeto da zona arqueológica de Lagartero, em Chiapas. A minha tese está centrada na Cosmovisão dos Maias e envolve uma localização histórica na Guatemala. Tive por isso todo o interesse profissional, cultural e humano em participar no projeto”, explica ao Vivacidade Maria João Marques.

A expedição, com uma duração de três meses, obrigou a arqueóloga a interromper o seu trabalho, na barragem de Pias, em Beja, e rumar ao continente americano.

“No México os arqueólogos têm grande prestígio social”

Quando chegou a Lagartero, em Chiapas, a riotintense encontrou um local de ocupação Maia com quase 1000 anos [entre o ano 300 e o ano 1400] e começou o trabalho de escavação numa pirâmide com o objetivo de tornar a estrutura visitável.

A arqueóloga foi a única portuguesa e estrangeira a integrar uma equipa composta por cerca de 30 trabalhadores que se dividiram em quatro grupos de trabalho [um para cada lado da pirâmide]. Objetivo? “Encontrar corpos na pirâmide para os consolidar”, responde Maria João Marques. “Encontramos cerca de 15 recipientes de cerâmica. Identificamos pelo menos quatro enterramentos, um deles era uma criança que estava associada a uma espécie de oferenda aquando da construção da escada da pirâmide e também encontramos um cão enterrado”, conta ao Vivacidade.

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A arqueóloga atribui “grande importância histórica” à descoberta e exploração daquele local em Lagartero e lamenta a falta de importância que, segundo a mesma, atribuem à arqueologia em Portugal. “Lá os arqueólogos têm grande prestígio social. Quando cheguei ao México e comecei a escavar, ficaram todos muito admirados. Os arqueólogos estão mais próximos da sociedade e assumem grande importância. Naquele local as escavações contribuem para a comunidade e tenta-se descobrir a história daquela região”, explica. Há também uma grande diferença nos “apoios científicos e financeiros atribuídos às escavações”, acrescenta Maria João. “Em Portugal o trabalho de um arqueólogo é acompanhar o movimento de terras e há depois a possibilidade de haver a deteção de locais arqueólogos”, finaliza a arqueóloga que recentemente também acompanhou os trabalhos de exploração das Minas da Lomba, em Gondomar.

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