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ARLINDO BESSA: “O Melres é uma casa que acolhe toda a gente”

Este mês, o Melres DC está a comemorar 50 anos de história. Fomos conhecer um pouco da história deste clube de referência e perceber a atual situação do mesmo. Estivemos à conversa com Arlindo Bessa, Coordenador da formação e Diretor Desportivo do Plantel Sénior.

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Este mês a vossa associação está a comemorar 50 anos de história, assim, a primeira pergunta que vós faço vai nesse sentido... para quem não conhece o Melres DC, conte-nos, resumidamente a vossa história?

Arlindo Bessa: A nossa fundação foi há 50 anos. A sua trajetória começou, porque num contexto de freguesia, havia a rivalidade entre os "lugares". Quando era criança lembro-me que, um dos meus ídolos de infância, era o Eusébio que nunca o vi a jogar na televisão e também os jogadores do Melres. Lembro-me por exemplo do Melrinho, que era o nosso guarda redes na altura e que chegou a ser, mais tarde, meu treinador. O Nuno Neves, o Adamastor, que é um homem de Jovim, que fez o golo do Melres que permitiu subir de divisão. Lembro-me de muitas coisas, como ainda o antigo e primeiro campo do Areio. Isto estamos a falar de 1971, quando o clube ainda não era federado. Em 1972, foi quando o Melres comprou os seus primeiros equipamentos. Mas o primeiro movimento foi no salão paroquial, ainda no tempo do fascismo, onde as pessoas se juntaram e tiveram uma reunião a exigir alguma coisa para esta zona em termos de futebol, porque já percebiam que esta modalidade poderia dinamizar mais um pouco a terra. Depois, mais tarde, o terreno do atual campo de futebol foi doado ao Melres DC. Se não estou em erro, o Melres é fundado em 1972, mas acredito que a primeira participação em termos de federado, acredito que foi um ano depois.

Você sente que esta associação deu outra vida à Freguesia?

AB: Sim deu, inequivocamente. Deu e dá, mas tem uma potencialidade para dar muito mais, tem é que assentar numa estrutura sólida, que tenha uma visão de futuro e que o leve por esses caminhos. O Melres sempre viveu muito à conta dos resultados e do seu plantel sénior. Começou a sua formação há muito pouco tempo e nota-se que tem ainda muito por onde crescer.

Atualmente, quantos atletas estão nesta Associação?

AB: Em termos da Associação do Futebol, no nosso plantel sénior temos 27 atletas, mais equipa técnica, temos 17 atletas no plantel de Iniciados, mais equipa técnica, temos 9 nos infantis, que são os que praticam futebol de sete, é o escalão que tem menos em termos proporcionais, mas são bons, são uma excelente equipa, com uma boa classificação e muito bem orientados. São meninos que não há dúvida nenhuma que se tiverem algum que os agarre, serão potenciais craques. O nosso menino mais novo tem quatro anos de idade. Mas que fique bem claro que nós aqui não queremos craques, queremos é crianças felizes. Depois, como somos gondomarenses ferrenhos e gostamos muito do nosso Gondomar, mandamos sempre uma equipa ou duas, para a Liga de Gondomar.

Quantos sócios tem o clube?

AB: Isso é uma das coisas que o Melres tem que rever. Porque não vale a pena termos um número de 900 sócios, quando depois vamos ver, cerca de 100 ou 150 já faleceram. Portanto, essa atualização tem que ser realizada, porque não adianta ter sócios só de nome, eles têm que ser pagantes. O clube é que tem que ir aos sócios, porque eles não veem ao clube, mas este ano não houve possibilidades....

Como é que é para vocês integrarem uma equipa que completa este mês 50 anos desde a sua fundação?

AB: Podemos começar pelo fim? Na minha perspetiva o Melres nunca teve tantas dificuldades, não estou a falar em termos financeiros, mas sim, em termos logísticos, em termos de recursos humanos, como teve este ano. Isto, com a particularidade de termos o nosso novo campo sintético, que era o que mais ambicionávamos. No entanto, isto calha-nos numa altura em que nós temos 13 ou 14 diretores, mais a Assembleia Geral... depois temos isto, quem é que criou o Melres atual há dois anos? Foram os jogadores. Depois é só pensar o que um diretor desportivo pode fazer com um balneário dentro da sala de reuniões... Se é que me estou a fazer entender. Nós neste momento em campo temos sete atletas e para mim, eles são para jogar, e o Melres tem que se convencer que é assim que as coisas andam. O diretor é para trabalhar, para criar condições para o treinador, treinar, para os jogadores, jogar e para a formação singrar e ter andamento, mas neste momento, isso é impossível, porque somos manifestamente insuficientes, tem que haver uma grande revolução e acredito que, isso acontecerá em breve. Vai ter que haver.

Nós apanhamos o clube num ano bom, em termos de apoio autárquicos, mas num ano mau, em termos de massa humana para trabalhar. Ainda por cima tivemos que andar com a "casa às costas", porque não tínhamos ainda o campo, só o tivemos este mês.

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Então no mês que vocês comemoram o vosso aniversário, são contemplados com o melhor presente possível...

AB: Sim, sim. Nós tivemos o nosso campo finalizado no dia 1 de fevereiro, exatamente no dia em que o Melres comemorou os seus 50 anos. Este é um presente. Posso dizer que tivemos dirigentes que há 14/15 anos já tinham esta visão e sonhavam com este feito. Posso também dizer que, este era uma promessa das eleições autárquicas de 2017 de todas as campanhas, inclusive do Partido Socialista onde estavam os atuais presidentes de Câmara e da Junta de Freguesia que cumpriram com o prometido. E há uma coisa que digo, este ano, a Junta de Freguesia segurou muito o Melres, deram-nos um grande apoio, foram inexcedíveis.

Qual é que diria que foi a melhor época do Melres?

AB: Em termos desportivos, inequivocamente as subidas de divisão. A primeira subida foi na década de 70 e depois tivemos a minha, que foi em 1992/93. Houve uma época em que para mim, tínhamos a melhor equipa e tínhamos um dos melhores Presidentes que, infelizmente, passou por cá muito pouco tempo que era o engenheiro Filipe Rocha. Na minha perspetiva ele conseguiu ter no nosso clube a melhor equipa, que apenas falha o acesso da divisão de honra por causa de um golo, apesar de termos os mesmos pontos do adversário.

Neste momento, qual é o vosso objetivo principal?

AB: O meu objetivo é a aposta fortíssima na formação. Com uma visão diferente daquilo que é a formação noutros clubes. Eu tenho aqui um menino que tem uma patologia e não o mandamos embora, porque o Melres é uma casa que acolhe toda a gente. Nós não podemos, nem devemos dar ao luxo de excluir ninguém. Esta é a base essencial do desporto. Nós aprendemos muito com os nossos meninos, acredite que eles nos dão lições de vida, porque eles são expontâneos, são puros, para não falar que eles dão outra vitalidade ao clube.

Pelo que percebi já supriram esta necessidade do campo, só que tem outros problemas aqui adjacentes, para o futuro do clube, a esperança continua para tempos melhores?

AB: Vejo o futuro com muita esperança. Garanto que sou muito benfiquista, mas eu digo sempre, Melres-Benfica, nunca digo o contrário. Vivi aqui alguns dos momentos mais felizes da minha vida. Lembro-me de quando era jovem de ver e presenciar uma subida de divisão do Melres. Ou ainda ver o meu ídolo de baliza a jogar, o Melrinho. ■

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